Nos 60 anos do golpe militar, USP completa novas etapas de reparação

Realizadas pela Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento, ações seguem recomendações do relatório da Comissão da Verdade da USP

 Publicado: 31/03/2024     Atualizado: 05/04/2024 as 20:08
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Memorial aos membros da USP perseguidos pela ditadura militar – Foto: Marcos Santos / USP Imagens


Completam-se, em 1º de abril de 2024, 60 anos do golpe de estado que instituiu o regime militar no governo do Brasil em 1964. Após um período turbulento, em 1979 a Lei da Anistia começou a mudar a situação vivida na Universidade, por um lado, trazendo maior grau de normalidade, mas, por outro, protegendo agentes do Estado envolvidos no cometimento de crimes. Buscando a reparação histórica às vítimas desses crimes, foi instituída, em 2012, a Comissão Nacional da Verdade, que reabriu arquivos e voltou a discutir as questões relacionadas aos direitos no período ditatorial. 

A USP criou a sua própria Comissão da Verdade em 2013 e, em 2018, foi divulgado um relatório, que trouxe 14 recomendações a respeito da reparação. E, no ano em que se completam os 60 anos do golpe, a Universidade prevê concluir mais duas dessas recomendações.

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A primeira delas, que é a recomendação de número 9 no relatório, diz respeito à diplomação póstuma dos estudantes que morreram ou desapareceram em razão da violação de seus direitos humanos pela ditadura militar. A proposta, iniciada ainda no final de 2023, é chamada de “Diplomação da Resistência”, e já concedeu os títulos a dois alunos, Alexandre Vannucchi Leme e Ronaldo Queiroz, ambos do Instituto de Geociências (IGc), que foi a unidade inaugural do projeto. Agora, ao longo de 2024, outras faculdades e institutos serão contemplados, chegando a 33 estudantes diplomados. 

Já a recomendação de número 8 sugere a “Inclusão, no Memorial aos Membros da Comunidade USP Vítimas do Regime da Ditadura Militar – 1964/1985, do nome de mais nove vítimas do regime militar, já que essas pessoas tiveram em alguma fase de suas vidas vínculo com a USP”. O Memorial foi inaugurado em 2011, na Praça do Relógio, em frente ao Centro Cultural Camargo Guarnieri, no campus do Butantã. Composta de placas de concreto, a obra foi idealizada pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade e é uma homenagem aos professores, funcionários e estudantes que foram mortos ou desapareceram durante o período da ditadura militar. Os nomes a serem incluídos são os de Alexander José Ibsen Voerões, Boanerges de Souza Massa, Henrique Cintra Ferreira de Ornellas, Jane Vanini, Juan Antonio Carrasco Forrastal, Maria Regina Marcondes Pinto, Miguel Pereira dos Santos, Sérgio Roberto Corrêa e Wânio José de Mattos.

Renato Cymbalista – Foto: Acervo Pessoal

Segundo o diretor de Direitos Humanos e Políticas de Reparação, Memória e Justiça da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) da USP, Renato Cymbalista, esta ação também incluirá uma restauração e recuperação do monumento e ocorrerá nos próximos meses, em uma cerimônia especial. “Essas são iniciativas que mostram que a USP reconhece injustiças do passado e busca agir no presente para construir um futuro melhor, mais democrático, mais diverso e tolerante”. Cymbalista comenta que o objetivo da PRIP é finalizar essas duas ações em 2024, ano da efeméride dos 60 anos do golpe, mas ressalta o caráter perene do trabalho de memória: “É um trabalho que nunca acaba; afinal, a reparação histórica é uma tarefa permanente e a USP está engajada neste processo”.

Para marcar a data de aniversário do golpe, a PRIP produziu um hotsite e um vídeo que explica ao público o contexto dos eventos históricos que impactaram a USP e a importância da memória e das políticas institucionais de reparação. Confira o site clicando aqui e o vídeo completo abaixo:


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