Estudantes da USP produzem materiais paradidáticos sobre sustentabilidade

Podcast, vídeos, jogos e outras peças criadas no curso de Educomunicação ensinam sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável na cidade de São Paulo

 10/01/2024 - Publicado há 2 meses
Arte sobre foto / Freepik

 

Oferecida pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, a disciplina de Educomunicação Socioambiental propôs aos estudantes a criação de materiais digitais de conscientização ambiental, com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e na Agenda Municipal 2030 de São Paulo, que transpõe os 17 objetivos da Agenda 2030 para a escala municipal. As produções dos estudantes entraram como material paradidático do curso on-line Consumo Consciente e Agenda 2030 na Prática, promovido pela Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz (Umapaz) e pelo Instituto Akatu.

Os materiais digitais foram desenvolvidos como trabalhos finais da disciplina, que faz parte da grade do curso de Licenciatura em Educomunicação da ECA. Todos os trabalhos foram aprovados e disponibilizados na plataforma Edukatu, mantida pelo Instituto Akatu.

A proposta de trabalho final do curso era que cada grupo de alunos fosse responsável por um dos 17 objetivos e, após estudar o conteúdo sobre ele na Agenda 2030, realizasse a produção de materiais paradidáticos. A linguagem dos materiais podia ser de livre escolha, o que resultou em diferentes suportes para cada ODS. O ODS 6, por exemplo, foi trabalhado por meio de um jogo de cartas, o Gotas de Conflito: Uma Conversa sobre a Crise Hídrica, que tem como objetivo promover debates e possíveis soluções para desafios relacionados à crise hídrica.

Ilustração digital. Na imagem, 17 quadrados coloridos contendo, cada um, um número, o nome do objetivo do desenvolvimento sustentável e um logotipo. 1: erradicação da pobreza; 2: fome zero e agricultura sustentável; 3: saúde e bem estar; 4: educação de qualidade; 5: igualdade de gênero; 6: água potável e saneamento; 7: energia limpa e acessível; 8:trabalho decente e crescimento econômico; 9: indústria, inovação e infraestrutura; 10: redução das desigualdades; 11: cidades e comunidades sustentáveis; 12: consumo e produção responsáveis; 13: ações contra a mudança global do clima; 14: vida na água; 15: vida terrestre; 16: paz, justiça e instituições eficazes; 17: parcerias e meios de implementação.
Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Imagem: Reprodução/ONU.

Ampliar a informação sobre os ODS beneficia toda a sociedade

Fotografia de uma mulher branca sorrindo. Ela tem cabelos castanhos que estão presos, veste blusa preta de mangas curtas, colar com miçangas amarelas, vermelhas e azuis e óculos de armação redonda e transparente. Atrás dela, à esquerda da foto, há uma parede de tijolos e à direita uma parede com “FML” e “18808” em tinta azul.
Thaís Brianezi, professora do curso de Educomunicação. Imagem: Reprodução/LinkedIn

Criados em 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU), os ODS são 17 metas estabelecidas como um guia global para criação de políticas públicas e ações de sustentabilidade em quatro eixos principais: social, ambiental, econômico e institucional. As metas são parte da Agenda 2030, ano em que se espera que elas sejam alcançadas, e possuem indicadores que permitem acompanhar o seu progresso.

Antes de ingressar na ECA, Thaís Brianezi, docente responsável pela disciplina, atuou como analista de políticas públicas e gestão governamental, passou pela área de educação ambiental da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo e trabalhou na Comissão Municipal ODS da prefeitura da capital paulista. Ela ressalta a importância de se compreender os impactos que a emergência climática tem nas desigualdades e conflitos sociais. “Hoje você não consegue entender o que se passa em termos sociais, culturais, econômicos e políticos se não entender, por exemplo, a gravidade de emergência climática que a gente vivencia”, afirma Thaís.

A professora também avalia como importante a compreensão do trabalho de povos e comunidades tradicionais que têm demonstrado alternativas ao modelo de desenvolvimento hegemônico em nossas sociedades e explica o porquê da escolha dos ODS como tema para os trabalhos finais:

 

“São objetivos bastante ambiciosos. O lema ‘não deixar ninguém para trás’ significa que não pode ser um compromisso só do Governo Federal (…). Tem que ser da sociedade na sua multiplicidade, ou seja, a perspectiva da comunicação para informação e engajamento para essa agenda é fundamental.”

Thaís Brianezi, docente da Licenciatura em Educomunicação

 

Parceria com terceiro setor amplia alcance do tema no município de São Paulo

A professora conta que a ideia do trabalho final surgiu após perceber que, apesar de haver diversos materiais nacionais e internacionais sobre os ODS, os materiais voltados a eles na cidade de São Paulo eram escassos. A parceria com o Instituto Akatu e a Umapaz ajudou a preencher um pouco essa lacuna. O Instituto Akatu oferece, por meio de cursos on-line voltados para estudantes do Ensino Fundamental e educadores, materiais sobre consumo consciente e sustentabilidade do Brasil. Já a Umapaz é um órgão gestor da Política Municipal de Educação Ambiental de São Paulo e Educação Ambiental da cidade de São Paulo. Ao final do semestre, os alunos tiveram a oportunidade de conversar com os representantes do Akatu e da Umapaz e apresentar seus trabalhos a eles.

Na fotografia, cerca de quinze estudantes de diversos gêneros e cores estão em uma sala de piso verde e teto branco. Eles conversam em duplas ou pequenos grupos.
Estudantes em dinâmica interativa durante aula da disciplina Educomunicação Socioambiental. Imagem: Thaís Brianezi

Para ter acesso ao curso, cadastre-se no site da Umapaz.

Por Cecília de O. Freitas e Larissa Leal, do LAC – Laboratório Agência de Comunicação da ECA


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