Mostra reúne cartuns de professor da USP sobre tecnologia

Escola de Comunicações e Artes recebe produções de diferentes épocas do cartunista Dorinho Bastos

Por - Editorias: Cultura - URL Curta: jornal.usp.br/?p=187648
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Cartuns são encarados pelo professor não como uma crítica, mas como expressão da dificuldade em se adaptar à tecnologia – Fonte: Dorinho Bastos

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O modo como a sociedade enxerga a modernização vem passando por diversas mudanças. Se antigamente, por exemplo, esperava-se que um computador durasse tanto quanto um relógio, hoje entende-se que certos produtos são de fato feitos para terem uma vida útil menor. O assunto permeia o tema da exposição do cartunista Dorinho Bastos, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, inaugurada nesta quinta-feira, dia 16 de agosto, no saguão do Prédio Central da ECA. O projeto é uma coletânea de 31 cartuns do autor produzidos em diferentes momentos de sua carreira e que de alguma forma englobam a tecnologia. É o primeiro evento do tipo no local, após as reformas que sofreu durante o ano passado.

Cartuns que estão sendo expostos no térreo do Prédio Central da Escola de Comunicações e Artes da USP – Fonte: Dorinho Bastos (Clique na imagem para ampliar)

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Com doses de humor, Dorinho Bastos, professor do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP) da ECA e cartunista com produções em diversos veículos como a revista Propaganda e o jornal PropMark, não considera que sua abordagem sobre o assunto seja pessimista. “Eu não vejo como crítica, mas sim como a dificuldade de adotar-se a tecnologia. E quando você gosta de humor e faz humor, é óbvio que você pega sempre as situações de uma forma extrema.”

Diferentemente da charge, que aborda assuntos mais atuais e que necessitam de uma contextualização, o cartum é em certo sentido mais atemporal. Isso permite juntar trabalhos distantes temporalmente entre si, montando um relato de como as discussões envolvendo a ascensão tecnológica mudaram ao longo do tempo. “As corporações demoraram para se adaptar às novas tecnologias, formas de comunicação e mídias digitais. Eu sempre explorei esse tema, porque dá a chance de muito humor.” Outro trabalho de Dorinho que tem esse mesmo tom é a Dona Zezé, personagem criada há muito tempo e que foi se adaptando conforme os anos passavam, tendo ainda hoje uma característica atual. “É uma personagem fixa na revista Propaganda. Ela é a moça que serve café dentro de uma agência de propaganda que não tem tecnologia nenhuma.”

Cartum de Dorinho Bastos que compara a vida útil de um computador e de um relógio – Fonte: Dorinho Bastos (Clique na imagem para ampliar)

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A exposição já foi apresentada no Metrô de São Paulo e até em solo estrangeiro, em países como Cuba e Portugal, porém com algumas alterações. Entre as obras estão cartuns de estilos, formas e tamanhos diferentes. “O cartunista ama fazer o cartum sem texto (escrito), então alguns desse projeto apresentam essa característica, porque o entendimento fica universal. No caso da ECA, eu fiz um misto entre ambos os estilos.”

O saguão central da ECA, que recebe o evento, passou por reformas durante o ano passado. A exposição de Dorinho tem justamente a intenção de inaugurar esse novo espaço dedicado a produções artísticas ligadas à faculdade. “Acho isso muito legal, porque aquele saguão é uma área tão interessante e estava extremamente prejudicado.” Para o cartunista, a tendência é que a ideia que surgiu na gestão Margarida Kunsch, antiga diretora da ECA, amplie-se e novos projetos comecem a surgir no local. “É legal o fato de investirem nesse lugar, porque agora devem surgir novas propostas para lá.”

A exposição do professor Dorinho Bastos está em cartaz no térreo do Prédio Central da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Avenida Professor Lúcio Martins Rodrigues, 443, Cidade Universitária, em São Paulo).

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