Livro mostra a música popular brasileira no cotidiano dos franceses

O livro “Madureira Chorou… em Paris”, de Anaïs Fléchet, mostra a MPB como a via de mão dupla Brasil-França

Por - Editorias: Cultura
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Álbum de partituras dos grandes sucessos de “Os Batutas”, 1922 - Reprodução
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Exotismo e elegância: O maxixe em Paris – Reprodução
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Um olhar etnográfico: a música brasileira no Musée de L’Homme - Reprodução
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Rio de Janeiro, tido como capital do samba - Reprodução
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Álbum de partituras dos grandes sucessos de “Os Batutas”, 1922
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É só andar pelas ruas de Paris para perceber que a música popular brasileira está por ali nos cafés, nas estações de metrô, ao redor da Madame Eiffel, nos teatros da cidade universitária. São as raízes desse cotidiano de quem aprecia a nossa boa música que estão presentes na tese de doutorado de Anäis Fléchet, defendida na área de História na Universidade de Paris 1 – Panthéon Sorbonne. Apresentada em 2007 e agraciada com o prêmio Louis Forest, da Chancelaria da Universidade de Paris, acaba de ser lançada em livro pela Editora da USP (Edusp).
Com o título Madureira Chorou… em Paris: A Música Popular Brasileira na França do Século XX, o livro faz uma abordagem inusitada da história da MPB. “Desde a Belle Époque, artistas brasileiros revelavam ao público francês um leque de ritmos, melodias e instrumentos inéditos”, explica. “O maxixe conquistou as elites parisienses às vésperas da Primeira Guerra Mundial, logo seguido pelo samba, que dominou os dancings dos Anos Loucos, na mesma época em que Heitor Villa-Lobos oferecia à música erudita brasileira um primeiro sucesso de crítica. Três décadas depois, o filme Orfeu Negro conquistava a Palma de Ouro em Cannes e revelava aos franceses o charme discreto da Bossa Nova.”

Tião Neto, Tom Jobim, Stan Getz, João Gilberto, Milton Banana – Reprodução

Anäis Fléchet lembra a onda brasileira iniciada por João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que, segundo ela, abre caminho para as canções engajadas e ritmos do Nordeste nos anos de 1960 e 1970. “Enquanto a ditadura militar conduzia muitos músicos aos caminhos do exílio, a exemplo de Chico Buarque de Holanda, Nara Leão, Caetano Veloso e Gilberto Gil, as grandes vozes da MPB – Elis Regina, Jorge Ben, Maria Bethânia – ganhavam a França por meio de festivais e turnês internacionais.”

 No decorrer do século 20, os ritmos brasileiros penetraram a paisagem sonora francesa

O livro lançado pela Edusp – Foto: Reprodução

Nos anos 1980, a pesquisadora aponta a introdução de gêneros até então desconhecidos, como o forró. Uma nova geração de artistas, como Lenine, Marisa Monte, Bel Gilberto, Seu Jorge, entre outros, passam a se destacar. “No decorrer do século 20, os ritmos brasileiros penetraram a paisagem sonora francesa e participaram do surgimento de novas práticas e sensibilidades musicais.”
Na apresentação de Madureira Chorou… em Paris, Marcos Napolitano, professor do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, cita a importância da pesquisa de Anäis Fléchet ao abordar a história transcultural da música brasileira, tratando, ao mesmo tempo, de aspectos da diplomacia cultural do País. “Mesmo priorizando as mediações e as conexões entre Brasil e França, Anäis não se esquece de outro polo que constituiu o eixo dinâmico do mercado internacional: os Estados Unidos.”
Napolitano recomenda o livro que, segundo ele, traz uma história da música brasileira fiel à tradição da erudição histórica da escola francesa. “Nesse arco histórico, surgem visões plurais sobre a música do Brasil, indo do consumo do exótico à celebração do moderno, iluminando nossa história musical com um foco vindo de fora. Esta obra convida o leitor brasileiro a ver além do seu próprio espelho cultural.”

Madureira Chorou… em Paris, Editora da USP (Edusp)476 páginas, R$ 90,00.

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