Projeto cria sistema de vigilância on-line de sintomas de covid em escola pública da Grande SP

Alunos e funcionários preencheram questionário sobre sintomas respiratórios. Iniciativa também implementou novo teste rápido de saliva para detectar covid-19

 11/01/2022 - Publicado há 7 meses  Atualizado: 12/01/2022 as 14:10
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Alunos e funcionários que não apresentaram sintomas de covid em escola pública de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, foram submetidos a um novo tipo de teste de saliva para detectar o coronavírus, desenvolvido na USP, capaz de fornecer resultados em meia hora, com menores custos para sua realização, o que pode viabilizar o uso em outros estabelecimentos públicos de ensino – Foto: Governo do Estado de São Paulo

Pesquisadores da USP participaram da implantação de um sistema de vigilância on-line de sintomas respiratórios para controle da covid-19 numa escola municipal de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Entre os meses de setembro e novembro do ano passado alunos, funcionários e professores responderam a um questionário na internet e os que relatavam algum sintoma eram encaminhados para as Unidades Básicas de Saúde (UBS) para diagnóstico. Ao mesmo tempo, alunos e funcionários assintomáticos foram submetidos a um novo tipo de teste de saliva para covid-19, desenvolvido na USP, que fornece resultados em meia hora, com menores custos, viabilizando o uso do sistema em escolas públicas.

Silvia Figueiredo Costa – Foto: Reprodução

O sistema de vigilância de sintomas de covid-19 foi adotado na Escola Municipal Oscar Niemeyer, em São Caetano do Sul, que possui 428 alunos no ensino fundamental, 429 no ensino médio e 83 funcionários, a partir do início do período escolar, em setembro. “Todos os funcionários da escola tinham recebido as duas doses da vacina contra o covid-19 antes do começo do estudo”, aponta ao Jornal da USP a professora Silvia Figueiredo Costa, do Instituto de Medicina Tropical (IMT) e da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), que coordenou o projeto. “Funcionários e alunos sintomáticos ficavam em quarentena e eram testados nas UBS da cidade.”

Todos os participantes do estudo, alunos e funcionários, responderam a um questionário on-line de vigilância de sintomas respiratórios. “Ao aceitar participar do estudo, o aluno e/ou funcionário respondia primeiro a um questionário com informações gerais: idade, gênero, vacinação, e comorbidades, ou seja, doenças já existentes. Em seguida, diariamente, os participantes responderam às seguintes questões: Você tem febre, tosse, dor de garganta, nariz escorrendo e alteração do olfato?”, relata Silvia. “Ao mesmo tempo, toda semana, os alunos do ensino médio e funcionários assintomáticos da escola realizavam a coleta da saliva para pesquisa do covid-19”, relata Silvia. “As aulas foram mistas, presenciais e on-line, e nenhum aluno ou funcionário sintomático foi à escola durante a realização do estudo.”

Os participantes que relataram algum sintoma nos questionários eram contatados pela escola e encaminhados, ao se confirmarem os sintomas, para realização de teste diagnóstico da covid-19 nas UBS. “Apenas um professor apresentou sintomas, no mês de outubro”, conta a professora do IMT. “Ele foi encaminhado para uma UBS e o teste de coronavírus foi positivo. Simultaneamente, 18 funcionários que tiveram contato com o professor, sempre usando máscara, foram testados para covid-19 e todos apresentaram resultado negativo.”

Teste rápido
Para os alunos e funcionários da escola foi adotado o teste Lamp, sigla em inglês para Loop mediated isothermal amplitication. “Esse teste, aplicado em amostras de saliva, é rápido, fornecendo o resultado em 30 minutos. Também é mais barato que testes similares por não precisar de equipamentos sofisticados, podendo ser realizado, por exemplo, nas UBS”, diz Silvia. “A saliva tem a vantagem de permitir a autocoleta, o que reduz o risco de exposição da coleta do swab, feita com bastões colocados nas narinas.”

O teste foi desenvolvido no Instituto de Biociências (IB) pelo grupo da professora Maria Rita Passos Bueno, e descrito em artigo publicado na revista Diagnostics no último dia 3 de agosto. “O teste de saliva para diagnóstico de covid-19 foi implementado com sucesso em São Caetano do Sul”, destaca a professora do IMT, “e o projeto como um todo viabilizou o uso de uma plataforma de vigilância de sintomas respiratórios em uma escola pública”.

Silvia lembra que um vídeo foi produzido para divulgar o projeto. “Alguns professores não quiseram participar do estudo. Por outro lado, a aceitação pelos alunos e pais foi muito boa. Um dos problemas encontrados foi o acesso à internet de alguns alunos, que tiveram dificuldade para preencher o questionário on-line”, afirma. “Entretanto, nossos resultados mostram que é possível implantar um sistema de vigilância on-line de sintomas respiratórios, que é fundamental para o controle da pandemia, e também a possibilidade de realizar um teste diagnóstico de saliva com autocoleta e de baixo custo.”

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Os pesquisadores pretendem, com a divulgação dos resultados do projeto, que outras escolas públicas adotem a plataforma de vigilância on-line. A iniciativa teve apoio do Instituto Todos pela Saúde, e contou com a participação do IMT, por meio das professoras Silvia Figueiredo Costa, Ester Cerdeira Sabino, Érika Manulli e Beatriz Oliveira, do IB, com a professora Maria Rita Passos-Bueno, da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), por intermédio do professor Fábio Leal e da Escola Municipal Oscar Niemeyer, dirigida pelo professor Edgar Casado Barreta Souza.

O diretor conta que a escola recebeu o convite para participar do projeto da Secretária de Educação de São Caetano, e que os testes foram de grande valia, porque o maior medo no retorno às atividades era de o vírus ser transmitido e as pessoas serem infectadas no interior da escola. “Optou-se por aplicar os questionários nos alunos do ensino médio, e tanto os estudantes quanto os pais assinaram um termo de consentimento. A coleta de saliva acontecia nas segundas e terças-feiras”, descreve Souza. “Houve palestras e exibições de vídeos para explicar o projeto, cujo resultado foi muito positivo. O medo da contaminação era grande, mas quando os alunos sabiam que havia testes, sentiam-se mais seguros e incentivados a voltar a escola.”

Mais informações: e-mail silviacosta@usp.br, com a professora Silvia Figueiredo Costa


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