Estudo genético pretende mapear grupos de risco da covid-19

Segundo Lygia da Veiga Pereira, a ideia é investigar as razões genéticas que identifiquem o nível de gravidade da doença e, dessa forma, desenvolver tratamento eficaz para combatê-la

Um projeto coordenado pela USP investiga as razões genéticas que levam alguns pacientes de covid-19 a desenvolverem quadro leve ou grave da doença, possuindo comorbidades ou não, e visa a mapear com eficácia os grupos de risco. Especialista acredita que o sequenciamento possibilitará o desenvolvimento de medicamento eficaz e novas terapias.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, a professora Lygia da Veiga Pereira, do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP e do Projeto DNA Brasil, explica que o novo coronavírus é uma novidade e que, por isso, ainda se sabe pouco sobre seus diferentes aspectos. O estudo de sequenciamento de genoma dos pacientes de covid-19 com quadros leves ou graves da doença poderá levar a novas descobertas sobre a relação do vírus com a genética humana, além de possibilitar tratamentos: “Comparando o genoma dessas pessoas, a ideia é identificar quais genes estão associados a uma resposta melhor ou pior da doença. Isso pode abrir diferentes caminhos de pesquisa, de diagnóstico e terapias”.

A pesquisa possibilitará verificar quais grupos genéticos são mais suscetíveis à doença e criar um marcador mais pontual para identificar as pessoas com maior risco e, posteriormente, desenvolver medicamentos eficazes para combater a covid-19: “Aí pode dizer a uma pessoa jovem, que acha que pode sair tranquila porque vai ter só uma ‘gripezinha’, que não vai ser assim, porque pode ter uma variante genética capaz de levar a doença a um estado muito grave”.

Segundo Lygia, o Projeto DNA Brasil agora voltado para descobertas sobre a covid-19 – teve início em 2017, com o intuito de sequenciar os genes da população brasileira a partir da constatação de que, no mundo, esse tipo de estudo até então abrangia apenas populações caucasianas, geralmente europeus ou norte-americanos:  “Daí veio essa urgência de incluir a população brasileira nesses estudos de genômica. Nós somos uma mistura interessante de genomas europeus, africanos e indígenas e essa mistura é única, então colocamos esse projeto de pé, que visa a um panorama abrangente da genética de toda a população brasileira, para que, a partir disso, consiga aplicar toda essa medicina de precisão na nossa população também”, e complementa: “Quanto mais conhecer sobre o genoma humano, melhor poderemos administrar a saúde da população”.

O estudo já conta com 3 mil genomas, do quais 1.600 serão redirecionados para investigações sobre o genoma dos pacientes com covid-19. De acordo com a professora, o projeto conta com verba do Ministério da Saúde e, dos genomas a serem estudados, metade será de pessoas que tiveram quadro leve da doença e a outra metade as que tiveram quadro grave.

Ouça entrevista na íntegra pelo player acima.


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