Mau uso de redes sociais agrava sinais depressivos nos jovens

Segundo estudo, meninas são mais afetadas pela conexão entre mídias sociais e doenças psicológicas

Na era do troco likes, me segue que eu sigo de volta e muitas retuitadas, a depressão é quem está se conectando aos jovens que mais usam as redes sociais — principalmente as garotas. Segundo um estudo da Universidade de Londres, adolescentes do sexo feminino apresentam duas vezes mais chances de terem depressão ao utilizar redes sociais do que homens da mesma faixa etária. Entre garotas de 14 anos, cerca de 75% sofrem de depressão por baixa autoestima, insatisfação com sua aparência e por dormir sete horas ou menos por noite. Os pesquisadores analisaram os processos que poderiam estar ligados ao uso de mídias sociais e depressão e descobriram que 40% das meninas e 25% dos meninos tinham experiência de assédio on-line ou cyberbullying. O levantamento ainda aponta que 12% dos usuários considerados moderados e 38% dos que fazem uso intenso de mídias sociais mostraram sinais de depressão mais graves. Para completar esta relação, no final do ano passado a Universidade da Pensilvânia comprovou, pela primeira vez, uma conexão da redução do bem-estar com o uso do Facebook, Snapchat e o Instagram. 

Foto: Atlas Social Media/Domínio Público via Flickr – CC

O professor Joel Rennó Júnior, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC), ressalta que o fenômeno das redes sociais é algo recente e com poucas conclusões, mas que já existe ligação entre quadros propícios à depressão e internet. “Há uma relação importante do perfil de personalidade do adolescente, seu gênero — o feminino sendo mais afetado — e o  tempo de exposição. É o conjunto de fatores que torna o adolescente mais vulnerável ao quadro de depressão.”

Porém, as redes sociais, por si só, não são culpadas pelos quadros depressivos. Rennó Júnior entende que a questão está no tempo gasto e no isolamento que ela provoca na rotina dos jovens, além da fase vivenciada. “Isso acaba combinado, muitas vezes, com algumas características da adolescência. No caso das meninas, muitas têm baixa autoestima, distorção de imagem corporal, ansiedade e são meninas que sofrem assédio on-line.” Neste ponto, o especialista enfatiza: “As pessoas se mascaram, criam outra identidade até para atrair crianças e adolescentes. É algo muito sério. Muitas vezes as meninas expõem fotos — de forma ingênua — para outras meninas, para o namorado, e aí que vem a difamação e a calúnia. Em adolescentes vulneráveis, isso pode causar grandes estragos psíquicos”. É necessário o uso de ações públicas conjuntas para traçar estratégias que solucionem o problema, segundo o professor do Departamento de Psiquiatria.

 

jorusp

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