Dor é uma doença e pode ser considerada um problema de saúde pública

Gabriela Rocha Lauretti entende que “a dor tem atingido cada vez mais jovens em função dos dispositivos eletrônicos, sejam uma televisão, um computador ou um celular”

 Publicado: 25/11/2021
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Mais de 80% das brasileiras dizem sentir alguma dor com frequência – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Se existe uma sensação que é democrática, é a dor. Isso mesmo, todas as pessoas, em algum momento da vida, já sentiram essa sensação. A dor chega e  atinge a todos, sem restrição de idade, raça, sexo ou classe social, a diferença está na intensidade dessa dor.   

Sentir dor é um processo natural, mas permanecer com ela não é normal.  Quando ignorada, pode causar danos físicos e mentais, segundo alerta da  Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor. Engana-se quem pensa que a dor é exclusiva da terceira idade. 

A professora Gabriela Rocha Lauretti, chefe da Clínica para o Tratamento de Dor Intervencionista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, explica que a dor é um problema de saúde pública. 

Recente pesquisa, realizada em 2019 com jovens e adolescentes, mostra que eles são os mais atingidos pelas dores em regiões como ombros, pescoço e lombar. A dor se agravou nos jovens principalmente durante a pandemia de covid-19.

Foto: Ivanir Ferreira

A pesquisa ainda mostra outros dados preocupantes, como o de que 20% desses jovens fazem uso de algum tipo de remédio para aliviar as dores. Além disso, 35% deles têm distúrbios do sono e precisam de remédios para dormir. A consequência desse quadro é que 23% dos adolescentes se tornam agressivos e mal-humorados. 

Mais de 80% das brasileiras dizem sentir alguma dor com frequência. Entre os homens, o índice é de 18%. O levantamento mostra que a quarentena imposta para conter a covid-19 só piorou o quadro. 

O tratamento para dor crônica pode ser feito com o uso de medicamentos, infiltrações ou injeções, fisioterapia e, nos casos mais graves, cirurgia. A cirurgia só é indicada como um último recurso. 

Com o passar do anos e a idade, a dor pode chegar a grande parte da população, por isso é importante ser tratada como qualquer outra doença crônica. “A dor é uma doença, assim como o diabete, a hipertensão arterial, e ela deve ser tratada”, conclui Gabriela Lauretti. 


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