Baixa estatura grave pode ser induzida por vários fatores

Um olhar mais atento e acompanhamento médico podem identificar a deficiência e proporcionar um tratamento aos primeiros sinais, explica o endocrinologista Alexander Jorge

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2,5% das crianças podem ter distúrbios de crescimento – Arte de Lívia Magalhães com imagens de Freepik

 

O porcentual de crianças que podem apresentar distúrbios de crescimento pode chegar a 2,5%. Elas se caracterizam por se afastar muito da faixa de referência de altura para idade e sexo. Se projetarmos para uma altura adulta, seriam homens abaixo de 1,50m e mulheres abaixo de 1,40m. Vários fatores podem causar o problema, inclusive a acondroplasia, popularmente conhecida como nanismo, que acomete de um a cada 20/40 mil indivíduos na população. O doutor Alexander Jorge, professor da Faculdade de Medicina da USP, responsável pela Unidade de Endocrinologia Genética, explicou que “muitas das baixas estaturas graves têm uma base genética que pode ser dividida entre doenças que comprometem o esqueleto, doenças que afetem o eixo ou hormônio do crescimento e doenças que afetam condições que a gente chama de baixa estatura sindrômica, que vem acompanhada de déficit intelectual, outras malformações e um quadro mais complexo”. 

Alexander Jorge – Foto: Reprodução/Fapesp

Quando a deficiência é causada pela falta do hormônio de crescimento e detectada precocemente, é possível iniciar o tratamento de reposição hormonal e normalizar totalmente a altura da criança até chegar a um adulto com a altura dentro da faixa de referência. No entanto, o doutor Jorge explica que “a maioria das crianças com baixa estatura grave não apresenta falta do hormônio do crescimento. Algumas podem apresentar resistência à ação desse hormônio, ou causas de defeitos no esqueleto, na cartilagem ou em outras situações que regulam o crescimento humano, que podem ter alguma resposta ao hormônio do crescimento, mas, em geral, não o suficiente para normalizar a altura na idade adulta, funcionaria só atenuando”.

Durante a gestação, o exame de ultrassom morfológico permite detectar se há algum problema no crescimento do feto. Mas Jorge lembra que “em muitos casos diversas crianças apresentam a desaceleração do crescimento somente após o nascimento”. Centros Especializados de Distúrbios de Crescimento ou de Endocrinologia Pediátrica e Grupos de Genética são os indicados para detectar problemas como displasias esqueléticas e baixa estatura sindrômica. Segundo o especialista, o grupo da Unidade de Endocrinologia Genética da USP tem muito interesse em auxiliar as famílias e tirar dúvidas sobre baixa estatura grave. Isso pode ser feito através do e-mail alexj@usp.br.

 


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