A população foi a grande vencedora do Plano Real, que está completando três décadas

“A inflação baixa é uma maravilha para o povo. O Plano Real é um divisor de águas no Brasil; depois de 70 anos o país voltou a ter uma inflação baixa e civilizada”, diz Simão Silber 

 Publicado: 01/04/2024
Por
Durante o Plano Real, o Banco Central trabalhou para valorizar a moeda brasileira em relação ao dólar – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Logo da Rádio USP

Em 2024, o Plano Real completa três décadas. Só para se ter ideia de como era o País naquela época, em 1990 a inflação anual do Brasil era de quatro dígitos, ou seja,  era superior a 1000% ao ano.  Só este já seria um excelente motivo para comemorar o sucesso da atual moeda nacional. Mas o caminho para chegar a esse resultado foi longo e vários outros planos existiram antes e não conseguiram o mesmo sucesso. Os governos Sarney e Collor tentaram, sem sucesso, acabar com a inflação herdada dos militares.  O professor Simão Silber, do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP e pesquisador da Fundação de Pesquisas Econômicas (Fipe), explica que “o Plano Real deu certo porque foi o sexto plano de estabilização, os cinco primeiros não deram certo […] e os erros foram  aprendidos”. 

Simão Silber – Foto: Reprodunção

No inicio de 1994, a inflação estava em 40% ao mês, ou 3 mil % ao ano. Os preços subiam sem parar: gasolina, alimentos, prestações. A inflação disparada e o aumento persistente nos preços de bens e serviços faziam os salários disputarem espaço com a economia nacional. Quem mais sofria com isso era a população. 

Cereja do bolo

O economista da USP explica que o câmbio fixo foi a “cereja do bolo” do Plano Real, já que antes as aplicações conhecidas como overnight tinham rendimento diário durante a madrugada. “As taxas de juros eram extorsivas para derrubar a inflação, o governo estava disposto a pagar qualquer taxa de juros para as pessoas não pegarem dinheiro e gastarem”, concluí. 

Durante o Plano Real, o Banco Central trabalhou para valorizar a moeda brasileira em relação ao dólar, permitindo que produtos estrangeiros ficassem baratos no Brasil. Esse fator contribuiu bastante para o controle inflacionário. O ponto negativo do Plano Real, segundo Silber, foi a questão fiscal, algo que só foi feito cerca de oito anos depois. O segundo mandato do autor do plano enfrentou problemas, precisando de ajuda do FMI para não quebrar. 

Mesmo assim, o grande legado do Plano Real foi a queda da inflação depois de 70 anos de sofrimento. A grande vencedora foi a população. “A inflação baixa é uma maravilha para o povo. O Plano Real é um  divisor de águas no Brasil; depois de 70 anos o País voltou a ter uma inflação baixa e civilizada”, diz Silber. 


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.