USP está entre as universidades mais sustentáveis do mundo

Líder no Brasil e em 23º lugar na classificação geral no UI GreenMetric, a USP instituiu em 2018 uma política para a área ambiental

Por - Editorias: Universidade - URL Curta: jornal.usp.br/?p=218113
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Vista aérea da mata do Instituto de Biociências, na Cidade Universitária, em São Paulo. Local é uma das áreas de reserva da USP - Foto: Jorge Maruta/USP Imagens

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Os rankings universitários já são velhos conhecidos da comunidade acadêmica mundial. Todo ano, consultorias e instituições diversas publicam listas classificando as melhores universidades em termos globais ou de acordo com regiões ou áreas do conhecimento, por exemplo. Reputação acadêmica e impacto das publicações são alguns dos critérios mais conhecidos para guiar essas avaliações.

Em 2010, depois de organizar discussões com especialistas e estudar os sistemas de ranqueamento já existentes, a Universidade da Indonésia (UI) lançou um novo ranking, desta vez, valorizando um aspecto ausente nos demais: o comprometimento com a sustentabilidade.

A última lista do UI GreenMetric World University Ranking, divulgada no final de 2018, colocou a USP em 23º lugar entre as universidades mais sustentáveis do mundo – ela subiu cinco posições em relação ao ano passado e manteve-se em primeiro lugar entre as brasileiras. Foram avaliadas, ao todo, 719 instituições de 81 países. 

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Segundo Patrícia Faga Iglecias Lemos, superintendente de Gestão Ambiental da USP de 2016 a 2018, vários fatores explicam este desempenho. Entre eles, a formação de grupos de trabalho para pensar o tema, a compilação e organização dos dados de toda a Universidade e a própria criação da Superintendência de Gestão Ambiental, ocorrida em 2012.

“Lembrando que a sustentabilidade envolve não só a questão ambiental, mas social e econômica. É papel da universidade ser um agente de mudança”, afirma a professora.

O GreenMetric é o primeiro e, atualmente, único ranking no mundo a mensurar a questão ambiental. A Times Higher Education – consultoria britânica de educação superior que produz alguns dos rankings mais conhecidos mundialmente – anunciou recentemente que está desenvolvendo uma nova classificação global que leva em conta o trabalho das universidades voltado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

“O ranking nos mostra os pontos nos quais podemos melhorar, como a questão da água e da energia, e também nossos pontos fortes. Na questão da infraestrutura, por exemplo, atingimos 96.67% da pontuação”, diz Patrícia.

O que deve ter uma universidade sustentável?

Conheça os critérios utilizados pelo UI GreenMetric para criar o ranking mundial de universidades

Indicadores

Pontuação da USP

Local e infraestrutura

relação entre áreas abertas em relação à área total, área de floresta, área de vegetação plantada, área para absorção de água, total de área aberta dividida pela população total do campus, orçamento da universidade para ações de sustentabilidade

1450

pontuação máxima
de 1500

Energia e mudanças climáticas

uso de aparelhos com melhor eficiência energética, implementação do smart building, número de fontes de energia renovável no campus, uso total de eletricidade dividido pela população total do campus, proporção de energia renovável produzida em relação ao uso anual, implementação de elementos de “construção verde”, programa de redução de emissão de gases de efeito estufa, relação da pegada de carbono total dividido pela população do campus

1350

pontuação máxima
de 1500

Resíduos

programas de reciclagem de resíduos e de redução do uso de papel e de plástico, tratamento de resíduos orgânicos e inorgânicos, manipulação de resíduos tóxicos, coleta de esgoto

1500

pontuação máxima
de 1800

Água

programas de conservação e reúso de água, uso eficiente de aparelhos hidráulicos e água tratada

700

pontuação máxima
de 1000

Transporte

relação entre o total de veículos (carros e motos) dividido pela população do campus, serviços de transporte, política para veículos de emissão zero e número destes veículos em relação à população do campus, relação entre as áreas de estacionamento e a área total, programa para limitar ou reduzir as áreas de estacionamento nos últimos três anos, número de iniciativas para diminuir a quantidade de veículos particulares no campus e política para pedestres

1375

pontuação máxima
de 1800

Educação

a proporção de cursos voltados à sustentabilidade em relação ao total de cursos, relação entre o orçamento destinado à pesquisa em sustentabilidade em relação ao total, publicações, eventos, relatórios, websites e organizações estudantis na área de sustentabilidade

1375

pontuação máxima
de 1800

Fonte: UI GreenMetric World University Rankings

A Superintendência de Gestão Ambiental foi criada em 2012 para planejar, implantar, manter e promover a sustentabilidade ambiental nos campi da Universidade e em suas áreas de pesquisa. Desde então, passou a trabalhar na elaboração da Política Ambiental da USP, concluída no início de 2018, e reuniu diversas iniciativas voltadas para a sustentabilidade na Universidade, financiou projetos-pilotos e passou a integrar redes internacionais de universidades sobre questões ambientais.

Nos últimos dois anos, a SGA organizou na USP eventos ligados ao GreenMetric, abrindo espaço para que universidades brasileiras apresentassem suas experiências e práticas voltadas à criação de condições sustentáveis em seus campi. A professora adianta que serão lançados cadernos com o histórico das ações e políticas ambientais da USP e com os trabalhos apresentados nesses eventos.

Em 2019, a Patrícia Iglecias assumirá a presidência da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

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