Pandemia da ignorância cresce com o desmonte do Iphan

Instituições ligadas à memória e à preservação do patrimônio estão debilitadas

“O desmonte do Iphan corre em paralelo ao desmonte de toda a área da cultura que perdeu seu Ministério no início do governo Bolsonaro, transformando-se em Secretaria, e já teve cinco ocupantes do cargo”, comenta Giselle Beiguelman. A professora comenta que essa Secretaria, inicialmente subordinada ao Ministério da Cidadania, passou para o Turismo e é responsável por sete entidades. Algumas das quais são centrais na definição e na gestão das políticas públicas de memória no País. São elas: o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Agência Nacional do Cinema (Ancine), Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), Fundação Cultural Palmares (FCP), Fundação Nacional das Artes (Funarte) e Fundação Biblioteca Nacional (FBN).
“Todos esses órgãos passaram por várias trocas de comando, numa sucessão de substituições que têm como característica comum total falta de experiência no setor e o despreparo técnico para ocupar esses cargos de direção”, destaca a professora. “O caso do Iphan é emblemático, porque ficou sem presidente durante muitos meses e vem sofrendo um processo de ocupação de suas superintendências por profissionais que não têm preparo e formação para atuar nesse campo.”
Segundo a colunista, a nomeação da nova presidente do Iphan é muito grave e exige nossa atenção “Não apenas porque seu perfil para dirigir o órgão é incompatível com o cargo, o que seria suficiente para nos preocupar, mas também porque está alinhada com uma desqualificação completa da área da cultura e, em particular, com as políticas de memória.”
Giselle Beiguelman salienta: “O direito à memória é condição de existência da democracia e do direito ao espaço público. Reivindicar quadros qualificados para exercer a direção do Iphan é reivindicar esse direito”.
A professora destaca que a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo está mobilizando seus professores e especialistas na área de patrimônio para enviarem vídeos em defesa do Iphan. “Assistam depoimentos da professora Ana Lanna, diretora da FAU e ex-diretora do Condephaat e do professor Antonio Augusto Arantes Neto, emérito da Unicamp e ex-presidente, entre outros, no canal do YouTube da FAU-USP.”

https://www.youtube.com/playlist?list=PLr2tOfQSm0OyI7X4DiFfb56mpXPIhShjQ

Ouça no player acima a íntegra da coluna Ouvir Imagens.


Ouvir Imagens 
A coluna Ouvir Imagens, com a professora Gisele Beiguelman, vai ao ar toda segunda-feira às 8h00, na Rádio  USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e  TV USP.

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