Invasão de espécies exóticas ameaça a biodiversidade, a cultura e a economia do País

A introdução dessas espécies acontece por meio de navios transoceânicos e impactam negativamente a produção de alimentos e a saúde humana. O aquecimento global é um dos culpados pelo aumento das bioinvasões

 11/05/2023 - Publicado há 10 meses     Atualizado: 29/05/2023 as 14:05
As zonas costeiras são reguladoras da concentração de gases do efeito estufa e é fundamental preservá-las – Foto: wirestock via Freepik

A invasão de ambientes por espécies exóticas é a segunda causa mundial de perda de diversidade e a primeira causa mundial de extinção de biodiversidade em ilhas e áreas protegidas, segundo o Ibama. Essa situação ainda pode piorar: até 2050, essas invasões devem crescer mais de 35%.

Espécies exóticas são aquelas que não são naturais de determinado ambiente, mas que mesmo assim acabam se alojando e proliferando. Podem ser organismos, plantas ou animais que, adentrando certo ecossistema ou hábitat diferente do seu, acabam sendo uma ameaça à economia, biodiversidade, capacidade produtiva e funcionalidade dos ambientes. Além disso, podem competir com as espécies naturais, levando-as à extinção. 

Esse é um problema sério com o qual o Brasil é familiarizado: o mexilhão-dourado, o javali e o capim-gordura – que é proveniente da África e acabou substituindo espécies de gramíneas nativas do cerrado – são um exemplo. “Elas podem ser introduzidas por ação humana direta, como no caso do transporte associado aos navios transoceânicos ou pelo descarte irregular de organismos mantidos em aquários”, explica o professor Rubens Lopes, especialista em Oceanografia Biológica do Instituto Oceanográfico da USP. 

Rubens Lopes Figueira – Foto: IO USP

Cada vez mais, esse fenômeno prejudica a biodiversidade marinha do País. “O aquecimento global também tem intensificado o deslocamento de espécies pelas correntes marinhas, assim como o lixo marinho flutuante, que pode atravessar o oceano de um continente para outro, trazendo espécies exóticas”, diz. Ele ainda lembra que, no início do século, o Brasil passou por um surto de cólera originado pelo transporte transoceânico de bactérias patogênicas por água de lastro de navios – água colocada em tanques que garante a estabilidade da embarcação e mantem a sua segurança operacional. 

“Atualmente o coral-sol é uma das principais preocupações, assim como o mexilhão dourado, que, embora seja de água doce, invadiu a América do Sul por água de lastro e causa grande prejuízo às usinas hidrelétricas”, diz Lopes. A espécie se prolifera muito rápido e acaba entupindo as instalações e tubulações e o custo de sua retirada é alto, além de ser necessária várias vezes ao ano.  

Solucionando o problema 

“A melhor estratégia para a gestão das espécies exóticas marinhas é a prevenção, ou seja, ao invés de combater uma espécie já estabelecida, que é uma operação muito custosa e de baixa chance de êxito, o ideal é não permitir a sua chegada”, explica Lopes. 

Para ele, políticas públicas e ações efetivas de fiscalização dos principais vetores de transporte marítimo são necessárias para o combate efetivo dessas invasões. Um caminho seria a implementação de um sistema de fiscalização ativo nos portos brasileiros, que impeça a liberação de água de lastro e a entrada de navios repletos de organismos incrustados nos cascos. 

Leia mais: Invasão biológica: um problema crescente que coloca espécies nativas em risco

 

Parceria: Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, Instituto Oceanográfico e Instituto de Estudos Avançados
Boletim Desvendando o Oceano
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