Apatia é sintoma comum e incapacitante após episódio de AVC

O tratamento da apatia pode envolver abordagens que visam a melhorar a motivação e a participação em atividades, frequentemente através de intervenções comportamentais, terapia ocupacional e, em alguns casos, medicamentos específicos

 Publicado: 30/01/2024
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Na coluna desta semana, sua primeira do ano, o professor Octávio Pontes Neto aborda a apatia após um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Segundo o professor, essa apatia refere-se a um estado de falta de interesse, motivação ou emoção que pode se desenvolver em pessoas que sofreram um AVC. Essa condição vai além da tristeza normal associada a enfrentar uma doença grave; é caracterizada pela indiferença, desinteresse e uma redução geral na motivação para realizar atividades que eram anteriormente consideradas importantes ou agradáveis. “Além disso, a apatia pós-AVC pode se manifestar de diferentes formas, incluindo uma diminuição na iniciativa para participar de interações sociais, uma falta de entusiasmo para realizar tarefas diárias e uma sensação geral de desinteresse pelo ambiente ao redor. É importante notar que a apatia após o AVC não está necessariamente ligada a sentimentos de tristeza ou depressão, é uma condição separada que afeta a motivação e o envolvimento em atividades”, afirma.

Para Pontes Neto, a apatia pode ter impactos significativos na reabilitação pós-AVC, pois a motivação e o engajamento ativo são muitas vezes fundamentais para a recuperação eficaz. Em um estudo recente publicado na revista Neurology nas ultimas semanas, pesquisadores do Kings College de Londres, no Reino Unido, acompanharam cerca de 200 pacientes com apatia em uma coorte de sobreviventes de AVC isquêmico, avaliando esses pacientes em quatro momentos diferentes de zero a 12 meses após o AVC. Os pesquisadores observaram um aumento progressivo da gravidade da apatia nesse grupo e essa apatia foi relacionada a piores resultados na reabilitação e na qualidade de vida. A depressão também foi associada a piores resultados em termos de incapacidade e qualidade de vida, sugerindo que a relação entre apatia e esses resultados pode ser mediada pela depressão.

Em resumo, o estudo destaca a importância de monitorar e tratar a apatia após o AVC, considerando seu impacto na qualidade de vida e na funcionalidade dos pacientes e destaca a necessidade de compreender a relação entre apatia e depressão nesse contexto. Nesse sentido, é importante que pessoas que tenham sofrido um AVC ou cuidadores estejam atentos aos sinais de apatia e discutam esses sintomas com os profissionais de saúde para que estratégias de tratamento adequadas possam ser consideradas. O tratamento da apatia pode envolver abordagens que visam a melhorar a motivação e a participação em atividades, frequentemente através de intervenções comportamentais, terapia ocupacional e, em alguns casos, medicamentos específicos.


O minuto do Cérebro
A coluna O minuto do Cérebro, com o professor Octávio Pontes Neto, vai ao ar quinzenalmente,  terça-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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