A ciência poderia ter evitado as mortes de Petrópolis

É o que diz o professor Glauco Arbix ao comentar o sucateamento do Cemaden, criado com a finalidade de monitorar tragédias como a ocorrida recentemente no Estado do Rio, sucateamento que se estende à ciência como um todo no Brasil

 01/03/2022 - Publicado há 2 anos     Atualizado: 04/03/2022 as 13:39

O professor Glauco Arbix, falando sobre desastres naturais, como o ocorrido recentemente em Petrópolis, no Estado do Rio, lembra que, desde 2011, existe no Brasil o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), criado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e cuja função é exatamente a de gerar alertas sobre esse tipo de calamidade. E o que motivou sua criação foi justamente as fortes chuvas que provocaram mais de 900 mortes na região serrana do Rio de Janeiro, mais especificamente em Teresópolis, naquele ano. Idealizado pelo então secretário do Ministério da Ciência e Tecnologia, Carlos Nobre, “o Cemaden funcionou, montou sistemas de alerta, montou sistemas de coleta de chuva, monitorava possibilidade de desabamento de terras, deflagrava processos de alarme para que a Defesa Civil tirasse as populações em áreas de risco”.  No entanto, quando da tragédia recente de Petrópolis, o equipamento já não estava funcionando na região, tendo voltado para sua sede, na cidade de Cachoeira Paulista.

O retorno deveu-se à falta de  recursos do Cemaden para fazer a manutenção do equipamento, que havia sido doado, em 2015,  às regiões serranas do Estado do Rio castigadas pela severidade das chuvas, com a finalidade de salvar vidas. Não havia orçamento para evitar a degradação do equipamento. Para Arbix, é isso o que acontece com a ciência no Brasil, totalmente sucateada e cada vez menos competente, competitiva e eficiente. “A ciência ajuda a salvar vidas, quando ela não sofre com cortes de verbas irresponsáveis, quando ela não sofre com uma ação errática do atual Ministério da Ciência e Tecnologia e quando ela não sofre a segregação e as críticas acirradas que o próprio governo Federal faz contra a ciência, as universidades, cientistas, como se nós fossemos pessoas sem qualquer valor. Não somos, a ciência não é, o Cemaden não é, e a ciência tem condições de salvar vidas, desde que ela não seja minada e corroída por dentro pela própria atuação do governo”, conclui o colunista.


Observatório da Inovação
A coluna Observatório da Inovação, com o professor Glauco Arbix, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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