Tecnologias do Futuro #02: Avançar energia nuclear pode ser crucial para manutenção do clima na Terra

Para o professor Ricardo Galvão, do Instituto de Física (IF) da USP, novos reatores nucleares são essenciais para que o mundo continue progredindo e produzindo menos gases do efeito estufa

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Jornal da USP
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Tecnologias do Futuro #02: Avançar energia nuclear pode ser crucial para manutenção do clima na Terra
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Quando a primeira usina nuclear foi inaugurada, nos anos 1950 na Rússia, o mundo acreditou estar diante do futuro da produção de energia. De lá para cá o panorama mundial se alterou e as fontes renováveis de energia, como a energia solar e eólica, ganharam destaque num planeta cada vez mais preocupado com o meio ambiente.

Mas será que nos próximos anos, os avanços envolvendo a energia nuclear – deixando ela barata e mais segura – vão poder transformar o futuro? Para o professor Ricardo Galvão, do Instituto de Física (IF) da USP, entender essa questão é essencial também para a manutenção do clima na Terra. “Eu não vejo nenhuma possibilidade do mundo avançar, e deixar de produzir muitos gases do efeitos estufa, sem a energia nuclear”, afirma ele, categoricamente.

Para o especialista, embora países como a Alemanha e os Estados Unidos tenham desacelerado a produção de energia nuclear, países como a França continuam a investir consideravelmente. De acordo com Galvão, o foco nas fontes renováveis não deve diminuir, mas a energia nuclear precisa se manter “como uma espécie de backup“.

Já o desenvolvimento dos chamados reatores de fusão nuclear, que para o professor foram por muito tempo uma promessa “quase utópica”, tem se ampliado gradativamente. “Nos últimos 15 anos, se percebeu que a tecnologia moderna nos permite avançar muito criando reatores muito menores.” Uma ideia que já existia no passado, mas para a qual não havia tecnologia, esclarece ele.

Atualmente, o mais famoso reator de fusão nuclear em operação é o Tokamak, de Princeton, nos Estados Unidos. O Tokamak opera com uma temperatura de 100 milhões de graus Celsius. Esse tipo de reator consegue suportar temperaturas altas, mantendo o plasma longe das paredes durante pouco tempo, e usando uma técnica conhecida como “confinamento magnético”, que é o processo onde as reações da fusão nuclear são iniciadas por aquecimento e compressão do combustível, tradicionalmente na forma de partículas que contêm uma mistura de deutério e trítio.

Ainda assim, falta descobrir um meio de obtenção de energia útil de um reator desse tipo, já que a energia gasta para ativar o campo magnético onde o plasma permanece confinado ainda é maior do que a energia obtida na fusão dentro do reator.

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