Proteína pode indicar risco de morte pelo câncer de boca

Presente nas células cancerosas, moesina pode auxiliar na identificação de casos mais agressivos da doença

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Estudo analisou o tipo mais frequente de câncer de boca, o carcinoma epidermoide ou espinocelular, tumor maligno que surge a partir das células da mucosa bucal e no qual os tecidos são invadidos por células atípicas e alteradas geneticamente – Foto: Vanessafrazao via Pixabay – CC

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Pacientes com câncer de boca que apresentaram uma forte expressão da proteína moesina nas células cancerosas tiveram menor risco de morrer pelo câncer. A conclusão é de pesquisa da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, em parceria com o Hospital do Câncer A. C. Camargo, em São Paulo, e com o Hospital do Câncer de Barretos (interior de São Paulo). A moesina pode ajudar na identificação de pacientes com pior prognóstico, ou seja, que apresentam tumores com maior agressividade e capacidade invasiva.

O estudo analisou o tipo mais frequente de câncer de boca, o carcinoma epidermoide ou espinocelular, tumor maligno que surge a partir das células da mucosa bucal. “Ele se caracteriza pela invasão dos tecidos por células atípicas e alteradas geneticamente da mucosa bucal”, relata a professora Denise Tostes Oliveira, orientadora da pesquisa. “No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimou para o biênio 2018-2019 um total de 11.200 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 3.500 em mulheres.”

“Este câncer permanece como uma importante causa de morte no Brasil e no mundo. Em nosso país muitos pacientes ainda são diagnosticados com a doença em estágios avançados, o que diminui as taxas de sobrevivência”, alerta Denise. “Porém, quando diagnosticado em fases iniciais, o câncer de boca pode ser curado e o tratamento é baseado na cirurgia, associada em alguns pacientes a radioterapia ou quimioterapia.”

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Evolução clínica

A pesquisa investigou a importância da moesina, proteína envolvida no processo de movimentação da célula cancerosa, na evolução clínica dos tumores e no prognóstico dos pacientes com câncer de boca. “Verificou-se que os pacientes com câncer de boca que apresentaram uma forte expressão da proteína moesina nas células cancerosas tiveram uma maior sobrevida da doença, ou seja, um menor risco de morrer pelo câncer”, destaca a professora.

Pacientes que apresentaram uma forte expressão da proteína moesina nas células cancerosas tiveram maior sobrevida da doença, ou seja, menor risco de morrer pelo câncer – Foto: Emw via Wikimedia Commons – CC

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A análise foi feita utilizando um teste estatístico denominado Kaplan Meier, onde são incluídos todos os fatores que podem influenciar as taxas de sobrevivência do paciente como, por exemplo, a idade, o gênero, o tabagismo, o etilismo, a presença de linfonodos comprometidos pelo câncer, a radioterapia e a proteína moesina. “O único fator que influenciou as taxas de sobrevivência foi a presença forte da proteína moesina nas células cancerosas, confirmando seu papel como um fator de prognóstico favorável para os pacientes com câncer de boca”, aponta Denise.

Segundo a professora, nas últimas décadas muitos estudos foram feitos buscando entender a biologia tumoral, particularmente o que as células cancerosas produzem e expressam e o papel destas moléculas na capacidade de migração e invasão dos cânceres. “Esta pesquisa traz uma pequena contribuição sobre uma proteína que foi expressa pelas células malignas do câncer de boca e influenciou o comportamento deste tumor no paciente”, enfatiza.

Único fator que influenciou as taxas de sobrevivência em casos de câncer de boca foi a presença forte da moesina, o que confirmou seu papel como um fator de prognóstico para a evolução da doença – Foto: Aleš Kartal via Pixabay – CC

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Identificação de pacientes

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“Estudos em outras amostras precisam ser realizados para confirmar os resultados, mas a moesina pode ajudar na identificação de pacientes com câncer de boca que apresentam tumores com maior agressividade e capacidade invasiva e, portanto, pior prognóstico”, conclui Denise. A pesquisa é descrita na dissertação de mestrado de Francisco Barbara Abreu Barros, orientado pela professora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, na área de Patologia Bucal. O grupo trabalha em parceria com o Hospital do Câncer A. C. Camargo desde 2000, tendo como colaboradores os médicos Luiz Paulo Kowalski, do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia, e Fernando Soares, do Departamento de Patologia.

Também participaram das pesquisas o médico André Lopes Carvalho, do Hospital do Câncer de Barretos, que colaborou na análise estatística dos dados obtidos, e Suely Nonogaki, da Divisão de Patologia do Instituto Adolfo Lutz, que contribuiu com a técnica utilizada para identificar a proteína. Integraram ainda o estudo a doutoranda Agnes Assao e a pós-doutoranda Natália Galvão Garcia, ambas da área de Patologia Bucal da FOB.

Mais informações: e-mail denisetostes@usp.br, com a professora Denise Tostes Oliveira

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