Tecnologia alerta para risco de enchente em tempo real

Sistema criado na USP une sensores de nível, câmeras e informações, via redes sociais, para avisar a população

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Janeiro é um dos meses mais críticos quando se trata de enchentes e alagamentos na maioria dos municípios brasileiros. Ter a tecnologia como aliada na gestão de riscos já é uma realidade desenvolvida no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, com o apoio do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) e a colaboração de professores da Universidade de Warwick. A pesquisa resultou em um sistema que não apenas detecta enchentes e o nível de poluição de rios, como pode avisar a população, via aplicativo de celular, sobre os eventuais riscos. O sistema é chamado e-Noé e funciona por meio de uma rede de sensores sem fio.

O professor Jó Ueyama, do ICMC da USP em São Carlos, lidera o grupo de estudo que desenvolveu a tecnologia e explicou, em entrevista ao Jornal da USP No Ar, como foi desenvolvido o e-Noé, nome inspirado no profeta bíblico que previu o dilúvio. “A ideia surgiu por conta de um amigo que fazia doutorado comigo na Inglaterra e desenvolveu um protótipo lá e trouxemos para cá, com a finalidade de fazer a detecção, assim como a previsão. A gente utiliza vários sensores, seguimos uma abordagem que chamamos de multimodal: multissensores para aumentar a confiabilidade da presença de uma enchente.” Para isso, é feito o uso de câmeras, sensores de nível dos rios e uma tecnologia de rede sem fio que capta essas informações para passar aos servidores e estes, por sua vez, emitem os alertas.

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Os sensores são colocados em pontos estratégicos dos rios, em locais com frequência de enchentes identificados por hidrólogos. “Por exemplo, aqui em São Carlos, a gente seleciona os pontos, coloca os sensores na água e a câmera fica num poste a sete metros de altura, capturando as imagens. É importante salientar que tanto as imagens como os sensores são enviados em tempo real”, explica Ueyama.

No processo de coleta das informações, para a emissão dos alertas, é realizada uma seleção de dados das redes sociais também, através de uma inteligência artificial, compondo os multissensores citados pelo especialista. Ueyama explica que o Twitter foi uma das redes nas quais se observaram as hashtags, publicações e fotos postadas pelos usuários referentes às enchentes. “A população ajuda os nossos sensores com a finalidade de dar o alerta para todos e de forma correta”, afirma o professor, explicando que ocorre uma filtragem das publicações que de fato trazem informação confiável para complementar os dados.

O e-Noé, aplicado na cidade de São Carlos, pode ser oferecido a outros municípios por intermédio de convênios que a Agência USP de Inovação poderá firmar com as prefeituras. “Feito isso, a tecnologia pode ser disponibilizada para uma determinada cidade.  É importante ressaltar que, após esse período, nós faríamos um estudo sobre a cidade para saber os pontos estratégicos em que ocorrem as enchentes”, diz o professor.

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