Qual a relação entre os antibióticos e a criação de animais?

Produção de carnes atualmente é influenciada por esses medicamentos, diz Rafael Almeida

 18/09/2023 - Publicado há 9 meses
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A produção animal contemporânea se baseia num modelo intensivo, em que os animais ficam confinados em grande número e espaços pequenos, aumentando o risco de disseminação de doenças infecciosas – Montagem com fotos de: Freepik, Cecília Bastos/USP Imagens e Marcos Santos/USP Imagens

 

Existem, de forma resumida, dois tipos de pecuária: a extensiva — que utiliza grandes áreas de pastagem, demanda um menor investimento e o controle do rebanho é menos preciso por conta do tamanho das fazendas; e a intensiva. “A produção animal contemporânea se baseia num modelo intensivo, em que os animais ficam confinados em grande número e espaços pequenos, aumentando o risco de disseminação de doenças infecciosas“, explica Rafael Almeida, doutor em Saúde Pública pela Fiocruz e pesquisador da Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis da Faculdade de Saúde Pública da USP. Por isso, a forma intensiva possui um diferencial: o uso de antibióticos nas criações.

Esse tipo de modelo é válido tanto para a avicultura quanto para as produções bovina, suína, entre outras. O Brasil é o maior exportador de frango do mundo; na produção de carne bovina, ele mantém essa mesma posição e, na de suína, está entre os cinco primeiros. “Acaba sendo necessário, neste modelo atual, administrar antibióticos para o tratamento e prevenção de doenças. Além disso, eles também são utilizados para acelerar o ganho de peso do animal“, detalha Almeida.

Controle 

Rafael Almeida da Silva – Foto: Lattes

Com tanta produção é preciso regular o uso dos antibióticos. “As regras ou recomendações implementadas variam de acordo com os diferentes contextos dos países. Por exemplo, atualmente se recomenda a retirada de todos os antibióticos classificados como importantes para uso humano a serem utilizados para o ganho de peso animal. O Chile e a União Europeia decidiram banir o uso de todas as classes de antibióticos para essa finalidade; já o Brasil ainda permite o uso de duas classes dessa lista”, coloca o especialista.

O acesso ao medicamento também é relativo, dependendo do país: às vezes pode ser necessária uma prescrição do médico veterinário, às vezes não. O Brasil se encontra na primeira opção, mesmo sendo recomendado a obrigatoriedade de uma indicação médica.

Em 2020, o Ministério da Agricultura e Pecuária proibiu o uso de três antibióticos — que são importantes para a medicina humana — no crescimento da produção, ou seja, na “engorda”. “Essas flexibilizações que vemos em alguns países mostram a importância de continuar investigando o efeito do uso de todos os antibióticos em animais para a saúde humana. Os resultados das pesquisas possibilitam que, cada vez mais, as legislações dos países estejam alinhadas, buscando promover a saúde humana e animal global”, analisa ele. 


Boletim Alimentação e Sustentabilidade

Parceria: Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis, Rádio USP e Jornal da USP 
Produção: Professor Ricardo Abramovay, Estela Sanseverino e Nadine Marques
Coprodução: Cinderela Caldeira, Guilherme Castro Sousa, Julia Estanislau e Alessandra Ueno
Edição: Rádio USP
Você pode sintonizar a Rádio USP SP 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz, pela internet em www.jornal.usp.br ou nos principais agregadores de podcast
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