Médico lidera estudo sobre fator étnico em pacientes com cirrose

Hepatologista premiado coordena o projeto ACLARA, que investigará 1.500 pacientes com descompensação aguda de cirrose

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O especialista da Faculdade de Medicina da USP(FMUSP) Flair José Carrilho, professor e diretor da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia Clínica do Hospital das Clínicas (HC), foi premiado recentemente pela Associação Europeia para o Estudo do Fígado (European Association for Study of the Liver). O centro de excelência do HC contabiliza, por ano, 4.500 hospitalizações clínicas e cirúrgicas, 30 mil atendimentos ambulatoriais, 2.400 cirurgias, incluindo 105 transplantes hepáticos, 10 transplantes de pâncreas, 34 mil endoscopias e de 120 a 140 artigos publicados por ano em revistas científicas.

Em 2017, o especialista da USP foi indicado para a coordenação de uma rede de pesquisa na América Latina que definirá os mecanismos da Síndrome de Falência Aguda Crônica do Fígado. Trata-se do Projeto ACLARA que investigará 1.500 pacientes com descompensação aguda de cirrose, de 54 hospitais distribuídos pelo Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México, Panamá, Paraguai e Peru. A cirrose é a 7ª causa de morte de adultos no mundo. No Hospital das Clínicas, a doença representa 8% do atendimento de emergência. O Jornal da USP no Ar conversou sobre o assunto com Flair José Carrilho.

De acordo com o professor, as principais doenças do fígado ainda são hepatites virais que levam à cronicidade e à cirrose hepática (hepatite A, hepatite B); depois vêm o alcoolismo e, mais recentemente, a obesidade, que gera esteatose hepática, o acúmulo de gordura no fígado. “Estamos seguindo outros países, como os Estados Unidos, e nos tornando obesos. Isso, é claro, devido ao sedentarismo e alimentação que estamos tendo”, explica. Ele aponta que a Organização Mundial da Saúde mostrou que apenas 20% dos adolescentes praticam uma atividade física, ou seja, 80% dos jovens adolescentes estão sedentários.

Montagem a partir da ilustração mostrando a localização da vesícula biliar, o fígado e o pâncreas com licença CC BY-SA 4.0 de atribuição de BruceBlaus via Wikimedia Commons

Quando questionado sobre o senso comum de que o fígado não dói, Carrilho comenta que “a cirrose hepática, durante alguns anos, fica compensada. O fígado, como principal laboratório que temos no corpo, chega um momento em que começa a perder sua função e começa a ter a descompensação”. É justamente essa descompensação que vai levar o paciente ao risco de desenvolver a doença. O projeto ACLARA pretende avaliar os fatores étnicos que podem influenciar essas descompensações, avaliando alterações gênicas, proteicas e lipidêmicas. 

Ele diz que o Hospital das Clínicas realiza cerca de 110 a 120 transplantes de fígado por ano, uma média de um a dois por semana. O resultado é de sobrevida média de 5 anos em 85% dos casos, que muitas vezes estão em estado avançado da doença, e corresponde à média de sobrevida mundial pós-transplante. De acordo com ele, “o Brasil é o segundo país transplantador de fígados do mundo.”

Quanto ao reconhecimento no exterior, Carrilho afirma que é “um avanço muito grande do funcionamento do nosso departamento”, que produz cerca de dois trabalhos científicos por semana e acaba sendo responsável também pela “formação de recursos humanos: atuamos no ensino, pesquisa e assistência ao paciente”. O especialista afirma que é uma honra trabalhar na Universidade de São Paulo, por estar entre as 150 melhores universidades do mundo.

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