Hábitos antigos de criação podem ocasionar a toxoplasmose

Epidemiologista alerta também para a limpeza de hortaliças e frutas e o cozimento de carnes

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O surto de toxoplasmose na cidade de Santa Maria (RS), que teve início em abril deste ano, já afetou cerca de 594 pessoas. Os números configuram o maior surto da doença no mundo. Só no ano de 2018, foram notificados cerca de 1.563 casos com sorologia positiva, sendo 1.291 considerados suspeitos e 212 ainda não classificados.

A professora aposentada Masaio Mizuno, epidemiologista da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, comenta que o protozoário tem como hospedeiro definitivo os felídeos, como gatos domésticos, gatos selvagens e puma. No solo, eliminado pelas fezes, demora alguns dias para a contaminação chegar a outros animais e ao ser humano. A especialista alerta para a volta da convivência de galinhas, porcos em solo, já que isso pode acarretar a contaminação desses animais e, consequentemente, a carne consumida. Ela confirma ainda que, no mundo, a doença está controlada há décadas.

No município do Rio Grande do Sul, alimentos como carnes suínas, bovinas, de ovinos e embutidos não são considerados como possíveis causas do surto pelo Ministério da Saúde. Entretanto, a epidemiologista adverte que, devido à contaminação a partir das fezes de gatos, a carne de animais criados informalmente pode adquirir o protozoário do toxoplasma.  

As grávidas, que necessitam de maior atenção, devem ser divididas em duas categorias: as que desenvolveram toxoplasmose – infecção ou doença – antes do período de gestação, e as que desenvolveram no início da gravidez. A contaminação recente pode ser transmitida pela mãe, podendo provocar o aborto, cegueira e comprometimento neurológico no bebê.

As autoridades sanitárias locais alertam para o cumprimento de algumas medidas de prevenção, como o fervimento da água a ser consumida, além de lavar hortaliças e demais alimentos em água corrente e evitar ingerir carnes cruas ou malcozidas. Pessoas que contraem a doença podem apresentar sintomas como febre, cansaço, mal-estar e gânglios inflamados, mas em alguns casos a doença pode ser silenciosa.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

 

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