Gorduras saturadas e açúcares são responsáveis pelo “vício” em ultraprocessados

Os chamados nutrientes críticos, dos quais a gordura saturada e o açúcar fazem parte, estão associados com o desenvolvimento de doenças crônicas, como obesidade e diabete

 24/07/2023 - Publicado há 7 meses
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Quanto maior a quantidade de ultraprocessados na dieta, maior será a ingestão do que chamamos de nutrientes críticos – Imagem: Freepik

 

Os alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados e macarrão instantâneo, resultam de diversos processos industriais e são conhecidos como alimentos que fazem mal à saúde. São vários mecanismos que explicam o porquê desses alimentos serem tão prejudiciais à saúde, mas o que conhecemos se refere ao perfil nutricional deles.  

“Quanto maior a quantidade de ultraprocessados na dieta, maior será a ingestão do que chamamos de nutrientes críticos, que são aqueles associados com o desenvolvimento de doenças crônicas, ou seja, obesidade, diabete, pressão alta, entre outras”, explica Giovanna Calixto, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. O sódio, a gordura saturada e o açúcar são alguns desses nutrientes.

O consumo está associado também ao aumento da ingestão de aditivos alimentares que são adicionados aos alimentos com o intuito de melhorar sua qualidade e a atratividade, além de garantir que possam ficar mais tempo na prateleira do supermercado, entre outros. Os aditivos mais comuns são os conservantes, acidulantes, corantes e espessantes.

Também estão relacionados ao aumento da ingestão de moléculas plásticas e da ingestão energética, além do aumento da resposta glicêmica, redução da saciedade, entre tantos outros. “A exposição frequente a esses fatores é bastante prejudicial à saúde, e já temos estudos que mostram o impacto negativo do consumo de alimentos ultraprocessados até mesmo entre crianças”, diz Giovanna.  

O vício 

Giovanna Calixto – Foto: Arquivo Pessoal

Todo esse problema se torna ainda mais preocupante porque os alimentos ultraprocessados são, de certa forma, viciantes. Por exemplo, o sabor extremamente forte é um dos fatores que explicam o alto consumo desses alimentos. “Quando os alimentos são submetidos a altos graus de processamento, eles vão perdendo suas características originais e alterando sua composição nutricional”, explica a doutoranda. 

Os alimentos ultraprocessados possuem um alto conteúdo de açúcar e de gordura saturada, que não são encontrados em alimentos que vêm da natureza, os alimentos in natura. Durante sua produção são adicionados vários aditivos com o objetivo de intensificar o aroma, o sabor e as texturas desses alimentos. 

Esses aditivos, porém, são o que tornam os ultraprocessados superpalatáveis, aumentando muito seu consumo. “Se você abrir um pacote de bolacha em uma sala o cheiro vai se espalhar no ambiente e quando você comer vai sentir a textura crocante, um sabor intenso. Você acaba comendo o pacote inteiro”, exemplifica.  

*Sob orientação de Cinderela Caldeira


Boletim Alimentação e Sustentabilidade

Parceria: Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis, Rádio USP e Jornal da USP 
Produção: Professor Ricardo Abramovay, Estela Sanseverino e Nadine Marques
Coprodução: Cinderela Caldeira, Guilherme Castro Sousa, Julia Estanislau e Alessandra Ueno
Edição: Rádio USP
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