Amputação por isquemia pode ser prevenida com controle da diabete

Simpósio internacional debate doenças vasculares, assim como os possíveis tratamentos e prevenções

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A disciplina de Cirurgia Vascular e Endovascular da Faculdade de Medicina (FM) da USP e a Divisão de Cirurgia Vascular da Universidade da Califórnia promovem, nos dias 16 e 17 de agosto, o Simpósio Internacional de Cirurgia Vascular. O encontro acadêmico acontecerá em São Paulo e reunirá personalidades notáveis para discussão dos mais recentes resultados de estudos e avanços nesse campo da medicina. Vários tópicos serão explorados pelos especialistas, inclusive as Diretrizes Globais para o Tratamento da Isquemia Crônica de Membros Inferiores Ameaçados de Amputação.

O Jornal da USP no Ar conversou com o  professor Nelson De Luccia, da Disciplina de Cirurgia Vascular do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP e idealizador do simpósio. Ele conta que a relevância do tema se dá porque “a isquemia de membros e a ameaça de amputação é praticamente uma epidemia no mundo moderno”, e que um dos dias do evento será inteiramente voltado a essa discussão: “Na sexta-feira, especialistas que vêm de renomadas universidades da Califórnia e do Texas lançarão, em nível mundial, uma nova forma de classificação do risco de feridas em extremidade. As Diretrizes Globais dizem respeito às diferentes formas de tratamento de isquemia, e tentam chegar a um consenso sobre qual o procedimento mais indicado no enfrentamento dessas doenças”.

Os riscos de amputação são consideravelmente maiores em pacientes diabéticos, pois, de acordo com o professor, “nesses casos, há uma situação dupla: não só as artérias são obstruídas como também ocorre uma perda de sensibilidade chamada de neuropatia diabética, caracterizando um quadro de aterosclerose periférica. O que acontece é que a associação desses fatores aumenta a suscetibilidade do paciente a lesões que podem infeccionar, aumentando também o risco de amputação dos membros afetados”. Alguns estudos brasileiros apontam que são realizadas anualmente de 200 a 300 amputações por doença arterial periférica a cada 100 mil habitantes, e que o controle e a prevenção da diabete evitam o agravamento do caso a esse nível. O incentivo à mudança de hábitos sedentários, inclusive por parte do Ministério da Saúde, poderia melhorar essa perspectiva, segundo o doutor.

Caso seja necessário amputar, o sucesso da recuperação do paciente depende de cada caso. “Quando são amputações menores, que chegam ao nível do pé, a pessoa quase consegue caminhar sem grandes deficiências, às vezes com o uso de calçados especiais. Quando são amputações maiores, feitas através da tíbia ou do fêmur, ou acima do joelho, o indivíduo precisa de acompanhamento médico para voltar a ter uma vida normal. O índice de sucesso das reabilitações, dependendo do nível da amputação, acaba sendo relativamente baixo, em torno de 20% a 30% apenas. Isso na melhor das hipóteses, em que a família e o paciente procuram assistência, e obviamente esses números também dependem de estrutura da rede de saúde, como a que temos aqui no HC. O que dificulta a prestação de um atendimento realmente eficaz é a grande demanda e a falta de assistência primária e secundária em postos de saúde, o que faz com que cerca de 20% dos pacientes que chegam ao HC já estejam com sinais que indicam a necessidade de amputação”, explica De Luccia.

Além dessa questão, os especialistas convidados também discutirão sobre outras doenças venosas e diferentes áreas da especialidade. O público-alvo do evento são cirurgiões vasculares, mas profissionais de outras áreas também estão convidados. Para participar, é necessário realizar inscrição on-line ou no local do encontro. Mais informações podem ser obtidas no site da Faculdade de Medicina da USP.


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