Pesquisa precisa de voluntários que se recuperaram da covid-19 para estudo com treino físico associado à altitude

Para participar, pessoas não podem ter tido forma assintomática ou leve da doença e sim ter se recuperado de sintomas mais intensos em casa ou hospitalizadas; precisam ainda estar em boa condição de saúde e há mais de 30 dias sem sintomas

Foto: Jackie Ramirez / Pixabay – Fotomontagem Jornal da USP

O número de casos e a mortalidade por covid-19 continuam elevados no Brasil e no mundo. Por outro lado, a taxa de recuperação de pacientes que tiveram contato com o novo coronavírus é alta e está demandando uma atenção maior das equipes de saúde. É que estudos vêm mostrando que pessoas em processo de recuperação da covid-19 podem continuar apresentando alterações em marcadores inflamatórios e redução na capacidade cardiorrespiratória.

Para entender a evolução dos recuperados da covid-19, a Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP vai desenvolver a pesquisa Efeito do treinamento de moderada intensidade associado à hipóxia normobárica sobre a função pulmonar, parâmetros hematológicos, imunológicos, autonômicos e relacionados à aptidão física em pessoas convalescentes da covid-19 (AEROBI – COVID).  O estudo inclui pessoas que apresentaram sintomas, de moderados a fortes, e realizaram a evolução da doença em casa ou precisaram ser hospitalizadas. Portanto, pessoas que ficaram assintomáticas ou tiveram sintomas leves da doença não podem participar do estudo.

A ideia, segundo os pesquisadores, surgiu a partir do menor número e da redução na gravidade dos casos de covid-19 em cidades mais altas, onde a concentração de oxigênio é menor. Para isso, a EEFERP pretende usar as tendas e os geradores de hipóxia, usados principalmente com atletas para o desempenho esportivo. O estudo consiste no treinamento moderado em bicicleta, associado à condição de hipóxia (com baixas taxas de oxigênio), que vai acontecer três vezes na semana, por 12 semanas. As avaliações relacionadas aos marcadores inflamatórios sanguíneos, capacidade cardiorrespiratória, função pulmonar, entre outras, serão realizadas antes e após a intervenção.

Para participar, os 80 voluntários selecionados devem ter sido diagnosticados com a covid-19, morar em Ribeirão Preto-SP e cidades vizinhas, com idade entre 35 e 69 anos, com cerca de 30 dias desde a recuperação dos sinais clínicos ou alta médica, que se encontram em boa condição de saúde e apresentam alguma experiência prévia em atividade aeróbia como caminhada, corrida, andar de bicicleta, natação, dança, entre outras. As atividades da pesquisa começam na segunda-feira, 14 de setembro, e o recrutamento será realizado pelo e-mail aerobi.covid@gmail.com e pelo telefone (16) 98830 5017.  

O responsável pelo projeto é o professor Átila Alexandre Trapé, que conta com a colaboração de seus colegas Marcelo Papoti, também da EEFERP, e Carlos Arterio Sorgi, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. Integram a equipe de trabalho mais de 20 pesquisadores, incluindo outros docentes da USP Ribeirão Preto, UTFPR, UNIFAFIBE e Universidades do Chile e Espanha, além de funcionários da EEFERP, alunos de graduação e pós-graduação da USP. 

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