Serviço referência em oftalmologia da USP faz 15 mil atendimentos por ano

Com tecnologia de ponta, Serviço de Retina e Vítreo em Ribeirão Preto completa 20 anos

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Professor Rodrigo e a equipe do Serviço de Retina e Vítreo do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto – Foto: Divulgação


O Serviço de Retina e Vítreo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP comemora 20 anos de funcionamento com aumento de 50% na procura pelos seus serviços nos últimos anos. As consultas que giravam em torno das 10 mil em 2013 chegaram a quase 15 mil em 2016.

A maior demanda observada após 2013 é explicada pelo professor Rodrigo Jorge, chefe e fundador do serviço, pelo serviço ter se tornado referência, com investimentos em infraestrutura e em recursos humanos, e também pela crise econômica que até hoje afeta o País – muitos pacientes perderam poder financeiro para custear atendimento particular. No entanto, como referência em tratamento de problemas de retina e vítreo, aqueles no fundo do olho, o serviço do hospital já acumulava recordes anos antes.

Conta o professor Jorge que, até o final dos anos 1990, pacientes de Ribeirão Preto que necessitavam de atendimento específico para problemas na retina eram encaminhados para São Paulo, principalmente pela falta de um serviço especializado no Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, com recursos humanos qualificados, tecnologia de ponta e a aposta em inovação, a cidade atende à demanda de todo o País, inclusive da capital paulista.

Essa evolução aconteceu a partir dos investimentos do HCFMRP no seu Serviço de Retina e Vítreo, marcada pela contratação do especialista na área, professor Rodrigo Jorge, em 1998. Foram investimentos “em ensino, pesquisa e parcerias público-privadas e financiamentos, principalmente, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que tornaram possíveis as conquistas do Setor”, lembra o professor.

Professor Rodrigo Jorge, chefe e fundador do Serviço de Retina e Vítreo do HC de Ribeirão Preto – Foto: Divulgação

Nos primeiros tempos, as atividades contavam apenas com um aparelho de fotografar fundo de olho. Agora dispõem de um retinógrafo de última geração, um dos poucos da América Latina. Ao lado da estrutura e tecnologia, 17 médicos e uma equipe multidisciplinar de mais de 15 profissionais realizam diariamente diagnóstico e tratamento.

São em média 740 cirurgias de vitrectomia anuais para tratamento de diversas doenças oftalmológicas – como descolamento de retina, tromboses venosas, hemorragia vítrea e buraco na mácula, e 45 mil procedimentos ambulatoriais, além das 15 mil consultas

Ao explicar os altos números, Jorge diz que “a retina pode ser atingida por 40 tipos diferentes de doenças que acometem todas as faixas etárias, de recém-nascidos a idosos”. O adulto jovem sofre mais com a retinopatia diabética e o idoso, com degeneração da mácula. Crianças que nascem antes do tempo podem apresentar problemas com a retinopatia da prematuridade; já aquelas em idade escolar e os jovens têm várias doenças menos raras, mas, segundo o professor, vêm aumentando casos de alterações na retina e fundo de olho causadas por sífilis e toxoplasmose ocular.

Difusão do conhecimento

“Nestas duas décadas de trabalho, a população foi quem mais ganhou com o serviço”. A afirmação do professor se deve principalmente ao número de especialistas formados e que hoje “dão uma boa assistência à população” e não estão restritos a Ribeirão Preto, mas espalham-se pelas cinco regiões do Brasil.

Jorge destaque a importância da difusão do conhecimento que produzem que se traduz em qualidade de serviços oferecidos. “Antigamente, para fazer um exame simples de angiofluoresceinografia (imagens do fundo do olho após aplicação de contraste), o paciente só podia ir ao HCFMRP”; hoje, a pessoa possui o serviço do especialista mais próximo dela; somente é encaminhada ao HC quando precisa de algo mais complexo.

A relação entre oferta de serviços especializados e a qualidade da produção científica da equipe fica evidente quando o professor relata os destaques nacionais e internacionais que obtiveram. Publicaram 110 artigos inéditos e estão com outros dez em andamento; receberam 33 prêmios em eventos científicos, cinco somente este ano; entre eles, os prêmios Suel Abujamra, Mário Motta, Novartis, Márcio Nehemy e Oswaldo Moura Brasil.

 

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