Sensação de urgência é a marca da COP28

O desafio da COP28 é avançar significativamente na adoção de medidas concretas que levem à redução efetiva da exploração e utilização de petróleo e gás natural, fontes de energia que se constituem nos grandes responsáveis pelo aquecimento climático

 29/11/2023 - Publicado há 3 meses
Por

 

O ano de 2023 será o mais quente já registrado na história da humanidade. A temperatura média do planeta, em alguns meses deste ano, já ultrapassou a marca que é considerada o limite para se evitar que o aquecimento climático passe a  prejudicar decisivamente as condições para a vida humana na Terra. Esse limite foi fixado em 2015, em um acordo internacional muito  importante, o Acordo de Paris. Nesse acordo, países do mundo todo estabeleceram  que a temperatura média anual do planeta não deveria superar em mais do que 1,5°C a média da temperatura anual verificada no período pré-industrial, isto é, no século 19. A razão da estipulação desse limite foi a constatação de que essa elevação da  temperatura, que decorre da emissão de gases de efeito estufa proveniente da  atividade humana, traz impacto muito negativo na preservação do ecossistema terrestre, e o fato de que, no curto período de oito anos, já se está chegando a esse limite de 1,5° C de elevação da temperatura é muito preocupante.

Em relação ao Brasil, por exemplo, recente relatório do Banco Mundial,  intitulado O Brasil do Futuro, aponta o impacto negativo do aquecimento climático como um dos três principais fatores que dificultam o desenvolvimento social e  econômico do País, ao lado de outros dois fatores: o envelhecimento da população e a falta de utilização de tecnologias mais avançadas. Com relação especificamente aos efeitos da mudança climática, o estudo do Banco Mundial mostra que três em cada  dez brasileiros vivem em situação de alta vulnerabilidade ambiental. 

Diante do quadro ambiental extremamente preocupante, a reunião de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, está caracterizada por uma sensação de urgência, isto é, pela percepção generalizada de que, se não forem adotadas medidas concretas para reversão do aquecimento climático, haverá consequências muito graves – sociais, econômicas e até mesmo políticas. O grande desafio da COP28 é avançar significativamente na adoção de  medidas concretas que levem à redução efetiva da exploração e utilização de petróleo e gás natural, os chamados combustíveis fósseis, fontes de energia que se constituem  nos grandes responsáveis pelo aquecimento climático. O sucesso da reunião será  medido em função dos resultados que vierem a ser alcançados quanto a esse objetivo. 

O nome da reunião, COP28, é a sigla em inglês da expressão conferência das partes, conference of the parties, que corresponde à instância que,  desde 1995, reúne todo ano os países que estão vinculados ao principal acordo internacional que trata da mudança do clima, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, adotada em 1992, na célebre reunião sobre meio ambiente realizada naquele ano no Rio de Janeiro, conhecida justamente como Rio92. Trata-se, assim, da 28ª reunião anual da conferência e nela participam cerca de 200 países do mundo, além de governos locais e organizações não governamentais, com acompanhamento do setor privado. 

Um aspecto curioso da COP28 é que ela está ocorrendo nos Emirados Árabes Unidos, país que é justamente um dos maiores produtores de petróleo do  planeta e o responsável pela presidência da reunião, o que tem despertado grande controvérsia. Pergunta-se se esse fato acarretará um retrocesso no combate ao aquecimento climático global ou, pelo contrário, um maior comprometimento dos países produtores de petróleo e gás natural com a adoção de medidas que tenham esse objetivo. Para o bem da humanidade, é melhor que seja a segunda alternativa. 


Globalização e Cidadania
A coluna Globalização e Cidadania, com o professor Pedro Dallari, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

.

 


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.