IA pode contribuir para aumentar produtividade dos trabalhadores menos qualificados

Glauco Arbix comenta pesquisa realizada por universidades dos EUA, segundo a qual as máquinas, quando utilizadas como complemento do trabalho humano, aumentam a eficiência da produção

 23/05/2023 - Publicado há 12 meses

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O professor Glauco Arbix retoma o tema da chamada inteligência artificial generativa, mais conhecida como ChatGPT, a qual, como seus similares e sucedâneos, representa um ponto de inflexão na trajetória da IA, pois a capacidade desse sistemas cresceu de modo a permitir que as máquinas façam tarefas que costumavam ser reservadas para trabalhadores mais qualificados, como escrever textos, criar códigos de computador, resumir artigos, debater ideias, organizar planos, traduzir, tornar as redações mais complexas e muitas outras. Os resultados causaram espanto por sua qualidade. “Ao mesmo tempo, muitas preocupações saltaram aos olhos diante dos problemas de sua estrutura, pela ausência de fontes de seus textos, pela falta de transparência, pela falta de compromisso com a veracidade dos fatos, para aquilo que se chama as alucinações, invenções ou distorções da realidade” que o ChatGPT  pode provocar”, adverte ele.
O colunista chama a atenção, porém, para uma nova geração de estudos, que começa a ver nesses modelos muito mais do que meros papagaios eletrônicos. O objetivo desses trabalhos, diz Arbix, é identificar o eventual valor social e econômico não pela imperfeição dessas máquinas, mas pelo potencial que portam e que podem ser utilizados por nós. “As perguntas que essas pesquisas estão fazendo são: será que com essas fragilidades, mesmo assim essas tecnologias podem trazer benefícios para a sociedade e podem se traduzir em ganhos significativos em cenários de um mundo real? Perguntas difíceis, que estão em aberto, mas que apresentam caminhos diferentes ao lado das previsões sombrias sobre o emprego, que a gente vê o tempo todo e que inundaram a internet e a TV.”
Pesquisadores norte-americanos acabaram de completar e divulgar uma pesquisa com mais de 5 mil operadores de call center e os resultados mostraram que os trabalhadores de menor qualificação se tornaram 14% mais produtivos quando usaram essas tecnologias, sendo que uma parte deles, justamente os de uma qualificação ainda menor, ganharam cerca de 30% a mais em relação aos mais qualificados e com maior escolaridade. “Esse é um dado extremamente importante, porque as máquinas, quando complementam o trabalho humano, aumentam a eficiência da produção […] o que é promissor, eu acredito, é que os estudos mostram que os efeitos da IA no trabalho dependem de se as máquinas são utilizadas para complementar ou substituir os humanos. O crescimento mais rápido da produtividade e da eficiência entre os trabalhadores de menor qualificação é pequeno. Se esses estudos se confirmarem por uma grande massa de trabalhadores, certamente poderão ajudar países como o nosso a equacionar problemas históricos de mão de obra, que é majoritariamente de baixa escolaridade, de baixa qualificação, uma trava para nossa economia.”

Observatório da Inovação
A coluna Observatório da Inovação, com o professor Glauco Arbix, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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