Em duas fases, campanha de vacinação contra Mpox já está sendo realizada em São Paulo

Num primeiro momento, serão vacinados, com duas doses, os grupos de risco. Ao todo, são cerca de 47 mil doses tornadas disponíveis pelo Programa Nacional de Imunizações

 24/03/2023 - Publicado há 2 meses
Inicia-se vacinação contra monkeypox, vírus cuja transmissão começou na África, onde foram verificados casos esporádicos e localizados de pessoas que viajavam para o país e voltavam doentes, às vezes gerando pequenos surtos de transmissão localizada, geralmente intrafamiliares – Foto: Unsplash

 

Já está sendo realizada no Brasil a primeira fase da campanha de imunização contra o monkeypox. De acordo com o Ministério da Saúde, primeiro serão vacinados os grupos de risco para as formas graves da doença. Ao todo, foram disponibilizados pelo Programa Nacional de Imunizações cerca de 47 mil doses. Inicialmente, a doença foi identificada como varíola do macaco, o que causou muita discriminação contra os animais, que foram perseguidos e mortos, apesar de não serem os transmissores, mas sim vítimas, o que acabou ocasionando a troca do nome da vacina para Mpox.

 A transmissão do vírus começou na África, onde foram verificados casos esporádicos e localizados de pessoas que viajavam para o país e voltavam doentes, às vezes gerando pequenos surtos de transmissão localizada, geralmente intrafamiliares. Relatos mostravam que isso acontecia a partir da transmissão zoonótica, ou seja, de animais para seres humanos, e o chamado rato gigante da Gâmbia seria o transmissor da doença. O rato gigante da Gâmbia também é conhecido por ser treinado para farejar minas terrestres.

Disseminação no Brasil

Expedito Luna – Foto: Reprodução/ResearchGate

Agora, a disseminação é diferente, destaca Expedito Luna, docente de epidemiologia da Faculdade de Medicina da USP. Ele lembra que a doença chegou ao Brasil em junho do ano passado, tendo atingido seu pico em agosto. “A doença emergiu na Europa, afetando majoritariamente a comunidade gay. Isso aconteceu provavelmente pelas circunstâncias em que ela apareceu, relacionada a dois festivais: um nas Ilhas Canárias, na Espanha, e outro em Antuérpia, na Bélgica, eventos voltados para a comunidade gay. Dado o modo de transmissão da doença, pele com pele e por meio de gotículas de secreção respiratória, a Mpox acabou propiciando sua disseminação entre homens que fazem sexo com homens e mulheres trans. Depois, os casos cresceram, atingindo outros grupos populacionais.

Já existia no exterior uma vacina para o tratamento da varíola humana, que é um outro vírus, mas também eficaz na prevenção da Mpox. O Brasil comprou algumas doses, que estão sendo aplicadas em grupos mais vulneráveis, que vivem com HIV e Aids e que têm a imunidade diminuída e idade entre 18 e 49 anos, para tentar controlar a transmissão. Depois, serão vacinados outros profissionais que, pelas condições de trabalho, colocam-se em risco de se infectar, ou seja, quem trabalha em laboratórios realizando diagnósticos desse vírus. Em seguida, serão vacinadas as pessoas que tiveram contato em curto prazo com alguém que teve o caso confirmado ou suspeito com o vírus.

A vacinação, que ocorrerá em duas doses, poderá causar dor e inchaço no local da aplicação e coceira. Não há eventos adversos graves relacionados à medicação, mas há relatos de pessoas que apresentaram dor de cabeça, dor muscular, cansaço e um pouco de febre.


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