Tecnologia desenvolvida na USP alerta moradores sobre enchentes em cidade catarinense

Pesquisa de monitoramento de rios do professor Jó Ueyama foi implantada em Rio do Sul

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Foto: Portan NSC Total

O município de Rio do Sul, no Estado de Santa Catarina, sofre com constantes enchentes. No ano de 2011, teve um dos piores registros da história, com alagamentos que assolaram vários bairros, ocasionando muitos prejuízos à população.

Nos anos de 2012 e 2013, o problema se repetiu e autoridades e especialistas de toda a região buscavam soluções efetivas para trazer segurança aos moradores, segundo explica Fábio Alexandrini, professor do Instituto Federal Catarinense, campus Rio do Sul.

“Por intermédio de uma reportagem no site do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], conheci a tecnologia desenvolvida pelo pesquisador Jó Ueyama, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Fui prontamente atendido por ele e, em alguns dias, recebemos sua visita aqui em Rio do Sul para um congresso”, conta Alexandrini.

No ano seguinte, a Defesa Civil de Rio do Sul organizou um novo evento com a participação do pesquisador e a parceria foi efetivamente estabelecida.

Com apoio do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), a pesquisa coordenada por Jó Ueyama consiste em um sistema que não apenas detecta enchentes e o nível de poluição de rios, como pode avisar à população, via aplicativo de celular, sobre os eventuais riscos. O sistema é chamado e-NOE e funciona por meio de uma rede de sensores sem fio.

O primeiro passo do trabalho realizado em Santa Catarina foi estabelecer os pontos de monitoramento que eram feitos, na época, por réguas físicas presas a postes. Três locais foram sugeridos pelo pesquisador para receber os equipamentos, instalados nos anos seguintes após autorização dos órgãos competentes.

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Defesa Civil de Rio do Sul

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“A rede de sensores sem fio instalada na cidade de Rio do Sul monitora a altura do nível do rio em tempo real para que, assim, a população possa verificar a altura dos rios na cidade. Tal monitoramento ajuda a saber quando cada morador pode retornar a sua residência, visto que o sensor mede em tempo real a altura do nível do rio nas três localizações onde os sensores se encontram disponibilizados. Os três pontos foram instalados em dois rios distintos, assim como um terceiro sensor após a confluência dos dois rios citados. Com esta topologia [disposição] da rede é possível também identificar qual rio contribui mais para levar a uma situação de enchente e assim tomar medidas públicas com vistas a reduzir as perdas decorrentes das enchentes”, explica Jó Ueyama.

Defesa Civil de Rio do Sul

Fábio Alexandrini explica ainda que a tecnologia desenvolvida pelo pesquisador precisou ser adaptada. “A forma de monitoramento dos rios com alagamentos pontuais não seria suficiente e precisamos de adaptações da ferramenta para cheias de grande monta. Baseado no modelo do professor Jó foi possível desenhar um modelo que foi licitado pela Defesa Civil em 2015 e instalado em dois pontos, em 2016, já auxiliando muito a população com os alertas em 2017. Recentemente, discutimos a necessidade de implantar o sistema em um terceiro ponto, agora um para cada rio que passa por Rio do Sul”, explica.

População recebe alertas em enchente de 2019

Alexandrini explica que o site da Defesa Civil que alimenta os dados e orienta a população foi desenvolvido também por seu ex-aluno Almir Bolduan, com posterior apoio da Defesa Civil e também da Secretaria de Gestão de Governo de Rio do Sul. “Este trabalho rendeu prêmios, um deles da Rede de Cidades Digitais como Projeto Inovador de 2017 e outro, pelo trabalho realizado nas escolas para orientar crianças e suas famílias. A tecnologia completa, ou seja, os dados obtidos pelas três estações telemétricas, foi utilizada em recente enchente, em junho de 2019, quando parte da população deixou as casas e precisou ir para abrigos. Em tempo real, a Defesa Civil informava à população sobre o nível dos rios e sinalizou pelo menos 27 ruas interditadas.

“Além das aplicações práticas, em termos acadêmicos pudemos realizar projetos de mestrado e doutorado com uso de sensores ligados à rede de Internet das Coisas (IOT, sigla em inglês). Estamos ainda aguardando o resultado de projeto submetido ao CNPq de Monitoramento de Ribeirões, que são os principais afluentes dos nossos três rios: Itajaí do Sul e Itajaí do Oeste, que se fundem no centro da cidade formando o terceiro, Itajaí Açu”, comentou.

Atualmente Almir Bolduan é o profissional responsável pelo monitoramento dos sensores e por transformar os dados coletados em informações de orientação à população no site da Defesa Civil.

“Para ter acesso, basta entrar  no portal da Defesa Civil. Nele, estão presentes as informações referentes ao nível do rio, pluviosidade do dia, situação das barragens Oeste e Sul, Mapa de Inundação e Abrigos e ainda conta com imagens em tempo real da situação dos rios nos três pontos onde estão instaladas as estações telemétricas”, explicou Bolduan.

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Defesa Civil de Rio do Sul

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“Com o portal, o cidadão consegue maior assertividade na definição de sua estratégia de saída (ou não) de sua casa ou comércio, trazendo maior segurança e diminuindo as chances de prejuízo. Nos meses de maio e junho de 2017 o município de Rio do Sul passou por uma cheia e o rio atingiu a cota de 10,89 metros (m). O portal foi utilizado de forma abrangente pela população, seja usando o computador ou smartphone. Foram registrados mais de 3 milhões de visualizações de página naquele mesmo período”, comentou.

Raquel Vieira / Comunicação Cemeai

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