70% das pessoas entrevistadas em estudo gostariam de continuar no home office

Um dos coordenadores da pesquisa, o professor Wilson Amorim explica que os motivos podem ser o alívio de estar empregado, a segurança de estar em casa em plena pandemia e ganho de tempo com o não deslocamento

jorusp

A pandemia forçou a alternativa de uma modalidade de trabalho que tinha tímidos índices: o home office (teletrabalho). No Brasil e no mundo, foram várias as empresas que se adaptaram rapidamente a esse tipo de trabalho feito em casa, salvaguardando aqueles serviços que possibilitassem a prática. Visando à análise do período, a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP fez uma pesquisa sobre o tema no estudo Satisfação e Desempenho na Migração para o Home Office.

Quem fala sobre o relatório técnico, em entrevista ao Jornal da USP no Ar, é o professor Wilson Amorim, um dos coordenadores da pesquisa. O alcance da pesquisa foi de aproximadamente 1.300 respondentes, com predominância de trabalhadores com alta qualificação e renda elevada. A grande maioria deles vem aprovando a experiência de trabalho em casa. “Isso foi uma surpresa. Colocamos a expectativa de que as pessoas tivessem uma visão relativamente crítica do trabalho em casa e a distância. Não foi isso o que aconteceu”, explica.

Para essa realidade brasileira, 70% gostariam de continuar trabalhando em home office, contra 19% que não gostariam e 11% que foram indiferentes. E mesmo que muitos não tenham um espaço específico para trabalho em casa, o resultado positivo pode ser justificado por três hipóteses. De acordo com Amorim, estar trabalhando enquanto o entorno é marcado pelo desemprego já é um fator de alívio. Outro ponto é a insegurança em relação à própria saúde, reduzida com o fato da não necessidade de sair para trabalhar. Por fim, ele destaca o tempo “ganho” ao não enfrentar trânsito nos dias de trabalho convencionais.

“[São] três aspectos que colocam as condições de trabalho em casa como muito favoráveis do que seriam de outra maneira”, resume o professor. Dos setores atingidos, a educação foi o que se mostrou mais crítico em relação à modalidade, com apenas 56% respondendo que gostariam de continuar trabalhando a distância, muito talvez pela abrupta adaptação e diversos outros fatores que levam a área (e os professores e estudantes) a serem resistentes em uma modalidade de ensino improvisada. Mesmo com isso, Wilson Amorim afirma: “Nós vamos avançar e não recuaremos para o momento anterior. Essa nova situação vai demandar uma relação de trabalho diferente do que tinha antes, em qualquer setor”.

Ouça a entrevista completa no player acima.


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