Biodiversidade brasileira precisa ser estudada e explorada

Segundo zoólogo, é preciso ter maior liberdade para pesquisa e valorização do turismo em áreas de fauna e flora

jorusp

Dando sequência à série sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, neste penúltimo capítulo o assunto é sobre como proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e a perda de biodiversidade. O Jornal da USP No Ar conversou com o professor Marcos Buckeridge, coordenador do Programa USP Cidades Globais do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, e com o zoólogo e professor Miguel Trefaut Urbano Rodrigues, do Instituto de Biociências (IB) da USP.

Com as modificações do homem nos recursos naturais, a ameaça à diversidade é grande e recorrente em todo o mundo. “O homem tem que se preocupar com a natureza. A gente sabe que existem áreas bem diversas, o Brasil é o país megadiverso do mundo, o que tem a maior biodiversidade do planeta. A gente tem que ter cuidado com aquilo que a gente explora”, alerta o professor Trefaut. Para que se respeite a natureza, o zoólogo orienta que é necessário conhecer a biodiversidade existente no País, através de incentivos às pesquisas científicas que mostrem à população a importância dos recursos. O segundo passo, segundo Trefaut, é explorar tais recursos de forma responsável.

O professor do Instituto de Biociências chama a atenção para o setor do turismo. “Não existe uma capacidade de exploração da biodiversidade brasileira do olhar turístico. Primeiro, existe uma legislação extremamente rígida. Algumas áreas são praticamente intocadas. Isso não pode existir, o povo tem que conhecer isso. Reserve-se uma parte da área para o turismo e a outra para a pesquisa. Mas todas as áreas têm que ter acesso da população, que precisa conhecer.” Sobre a argumentação de que a atividade turística pode destruir os recursos, Trefaut contraria, dizendo que não ocorre se o turismo “for realizado com segurança e com controle bem-feito”.

Com isso, os especialistas revelam que a atividade científica é a que sai prejudicada com a atual legislação e, ao mesmo tempo, favorece o comércio que, por exemplo, pode levar o material genético e explorá-lo no exterior sem grandes problemas. Além do mais, a fauna e a flora, perto ou longe das cidades, precisam ser conhecidas para, segundo o Trefaut, a segurança nacional. “A gente teve aqui os casos de febre amarela em que morreram milhares de macacos. E não sabemos os patógenos que estão na fauna nativa, porque a maior parte dos cursos de veterinária no Brasil não estuda a fundo isso. E, de um momento para o outro, isso não só ameaça as reservas de fauna e flora urbana, como pode colocar em risco as áreas de conservação que a gente tem. Não temos o menor conhecimento do se passa ali.”

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