As Faculdades de Odontologia e de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto completam 100 anos

Ao comemorar o centenário, em solenidade no dia 7 de junho, as unidades reconhecem o trabalho daqueles que construíram sua história

 10/06/2024 - Publicado há 1 mês     Atualizado: 12/06/2024 as 11:56
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Da direita para a esquerda: Ricardo Gariba Silva, Suely Vilela, Carlos Gilberto Carlotti Junior e Sérgio Akira Uyemura – Foto: Hermano Machado/Forp

Na última semana, as Faculdades de Odontologia (Forp) e de Ciências Farmacêuticas (FCFRP), ambas da USP em Ribeirão Preto, comemoraram seu centenário de criação, com uma sessão solene da Congregação das duas unidades na sexta-feira, 7/6. O evento contou com a presença de diversas autoridades acadêmicas, entre elas os diretores das duas unidades, Ricardo Gariba Silva, da Forp; Sérgio Akira Uyemura, da FCFRP; Suely Vilela, reitora da USP entre 2005 e 2009; e o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, que abriu a solenidade.

Em seu discurso, o reitor falou da sua relação emocional, familiar e de respeito com essas instituições, lembrando que no ano de criação das unidades, 1924, Ribeirão Preto era uma cidade muito pequena. Destacou os avanços e conquistas da Forp e da FCFRP, incorporadas pela USP em 1974, que contribuíram para que hoje a cidade se tornasse um importante polo de conhecimento e inovação. 

Carlotti destacou o fato da USP ser classificada, pelo segundo ano consecutivo, entre as 100 melhores universidades do mundo, uma conquista que atribuiu ao trabalho árduo e dedicação de inúmeras pessoas ao longo das décadas, como aqueles que criaram essas unidades. “Isso não é pouca coisa quando você pensa em toda a Europa, Estados Unidos, Canadá, China e Ásia. Estar entre as 100 primeiras deve ser motivo de orgulho para nós, para São Paulo e para o Brasil.” 

O reitor também ressaltou o compromisso da universidade em continuar avançando e inovando, destacando a recente parceria com o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em francês), que resultou na criação de dois novos núcleos de pesquisa em Ribeirão Preto, focados em imunologia e doenças extrapiramidais. Ele mencionou ainda o acordo iminente com a Capes, que permitirá um aumento significativo no número de pós-doutorandos e melhorias na infraestrutura de pesquisa, proporcionando condições ainda melhores para os doutorandos e produção científica com ainda mais qualidade.

Sobre os últimos acontecimentos na Universidade, Carlotti falou também sobre o impacto positivo das contratações de novos professores. “Até o final da minha gestão, teremos contratado 1,1 mil professores, muitos deles jovens talentos que irão levar a USP ainda mais longe.” 

O reitor enfatizou os avanços da USP em áreas estratégicas como transição energética, inteligência artificial e agricultura sustentável. Ele mencionou a capacidade da universidade em contribuir significativamente para a transformação do Brasil em um player internacional de peso na área de energia limpa. “Temos grandes possibilidades com o etanol de segunda geração, a produção de metanol e a transformação do etanol em hidrogênio”, destacou o reitor.

Além disso, o reitor colocou a importância da modernização da graduação, destacando os esforços para garantir que os alunos tenham acesso a uma educação de qualidade, preparada para os desafios do futuro. “Formar cada vez melhor nossos alunos de graduação é um compromisso da USP com a sociedade”, afirmou, e concluiu celebrando os 100 anos das Faculdades de Odontologia e de Ciências Farmacêuticas.

Sessão solene da Congregação em comemoração das duas unidades – Foto: Hermano Machado/Forp

Trajetória centenária 

A professora Suely Vilela prestou homenagens e expressou reconhecimento do trabalho dos servidores e docentes das Faculdades de Ciências Farmacêuticas e de Odontologia e lembrou da trajetória centenária dessas instituições, marcada por desafios superados e conquistas significativas.

Suely lembrou da sua contribuição pessoal na formação de recursos humanos, na administração e na formulação de projetos que elevaram a posição da Faculdade de Ciências Farmacêuticas no cenário nacional e internacional. Aproveitou a ocasião para parabenizar especialmente os professores aposentados e aqueles que já faleceram, lembrando a importância histórica de figuras como o professor Aymar Batista Prado e Jaime Monteiro de Barros.

Segundo a professora, tanto a Faculdade de Farmácia quanto a de Odontologia se destacam entre as melhores faculdades em suas respectivas áreas e com expressiva inserção internacional. Esse sucesso, afirmou Suely, é resultado do esforço coletivo dos profissionais que, ao longo dos anos, contribuíram para a formação de profissionais altamente qualificados, “hoje presentes não apenas no Brasil, mas em diversos países ao redor do mundo”.

Criadas como Faculdade de Pharmácia e Odontologia 

Para o diretor da Forp, Ricardo Gariba Silva, a importância das instituições é histórica. “São duas irmãs gêmeas siamesas, criadas em junho de 1924, como Faculdade de Pharmácia e Odontologia, e carinhosamente chamada como FOF”, relembrou Gariba, acrescentando que ele mesmo é parte da última turma antes da separação administrativa, ocorrida em 1983.

Segundo Gariba, essa separação permitiu que cada instituição seguisse sua vocação própria, focando na excelência do ensino, na geração de conhecimento e na prestação de serviços de alta qualidade. Atualmente, a FORP conta com aproximadamente 80 docentes e mais de 130 servidores técnicos administrativos, além de cerca de 350 alunos de graduação. “Ao longo de nossa trajetória, qualificamos profissionais do mundo todo, com cinco programas de pós-graduação de alta qualidade”, ressaltou Gariba. Ele também mencionou o impacto social da faculdade, que em 2023 realizou mais de 24 mil procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Gariba finalizou seu discurso ao falar do reconhecimento internacional da Forp. “A Odontologia da USP foi novamente considerada a melhor instituição do mundo na classificação internacional. Temos quatro pesquisadores citados entre os mais influentes do mundo, segundo o ranking da Universidade de Stanford”, comemorou.

Em seguida, Sérgio Akira Uyemura, diretor da FCFRP, também destacou a importância da parceria histórica entre as duas faculdades. “É um privilégio terem nascido juntas e, em determinado momento, seguido caminhos diferentes, mas ambas atingiram excelência e prestígio nacional e internacional”, afirmou Uyemura.

Nos 100 anos de existência, a FCFRP formou mais de 4,5 mil profissionais farmacêuticos altamente qualificados, além de 950 mestres e 670 doutores. Uyemura destacou a inovação curricular da faculdade, que desde 2017 possui uma grade curricular focada na interdisciplinaridade. “Essa grade tem sido modelo para várias faculdades de farmácia”, afirmou.

Uyemura também ressaltou o papel das pessoas na construção da história da FCFRP. “Todos os números que mencionei anteriormente são consequência do trabalho árduo e intelectual das pessoas que constroem a nossa história, a trajetória da instituição”. O diretor da FCFRP finalizou seu discurso citando seu orgulho de pertencer à Faculdade de Ciências Farmacêuticas, parabenizou as duas unidades e desejou vida longa às irmãs centenárias.


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