Produção e consumo sustentáveis são essenciais para Agenda 2030

Ricardo Abramovay, da FEA, diz que objetivos ligados à economia precisam ser alcançados para viabilizar os demais

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No ritmo atual, consumimos muito mais recursos naturais do que deveríamos. Isso tem como consequência o fato de que, nos próximos anos, poderemos sofrer não só com a já temida falta de água, mas também com a falta de outros recursos, como alimentos, minerais, energia, etc. Pensando nisso, a Agenda 2030 estabelece como uma das metas “reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reúso”.

Dando continuidade à série, o Jornal da USP no Ar abordou no quadro UrbanSus, com o professor Marcos Buckeridge, do Instituto de Estudos Avançados da USP, o ODS de número 12, Produção e Consumo Sustentáveis. O professor apontou que o caminho da produção e do consumo sustentável tem tido avanços, mas existem grupos de países ricos, como Estados Unidos (EUA) e China, contra esse padrão.

Já o professor Ricardo Abramovay, do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade e do Instituto de Relações Internacionais da USP, adicionou que, apesar dos esforços para o cumprimento dos objetivos determinados na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015 (COP 21), as emissões de combustíveis fósseis continuam aumentando e os padrões de consumo não estão se alterando para serem compatíveis com os limites dos ecossistemas. Ele cita como exemplo o Dia do Solteiro deste ano na China, em que se gastou mais do que no Natal e na Black Friday americana juntos.

Para Abramovay, é impossível alcançar os objetivos relacionados à sociedade e à biosfera, sem alcançar os relacionados à economia, grupo do qual o ODS 12 faz parte. Buckeridge completa dizendo tratar-se de um objetivo que atua como pilar central da Agenda.

O economista aponta que é essencial conscientizar os consumidores sobre a necessidade de exigir produtos sustentáveis, para que essa demanda seja criada na indústria e as empresas sejam forçadas a supri-la. Ele exemplifica a profundidade do problema, citando a indústria alimentícia e a epidemia global de obesidade: incentiva-se um consumo desenfreado de alimentos nem um pouco saudáveis, os ultraprocessados, e como consequência há um aumento nas chamadas Doenças Crônicas Não Transmissíveis, que já são responsáveis por 55% das mortes na América Latina, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde.

O professor Buckeridge traz à tona a questão da ansiedade, que vem aumentando e levando esse consumo desenfreado a níveis mais extremos. Para Abramovay, é necessário refletir sobre o papel da indústria nesse contexto: seu principal objetivo deveria ser trazer crescimento econômico ou bem-estar? Ele aponta que, acima de tudo, é necessário frear o consumo daquilo que não é essencial.

jorusp

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