Livro propõe soluções para evitar nova crise hídrica

Obra reúne série de estudos sobre causas e consequências do desabastecimento hídrico em São Paulo

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O Livro Branco da Água, produzido pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, em parceria com diversos pesquisadores, explora as origens e impactos da crise hídrica de 2014 e possíveis soluções para contornar os problemas futuros e os já causados pela falta de água. O Jornal da USP no Ar conversou com os professores Marcos Buckeridge, coordenador do Programa USP Cidades Globais do IEA, e Wagner Costa, docente da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e membro do Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade do IEA, que organizaram os artigos do livro para apresentar as ações da USP e promover o debate público sobre o assunto.

Buckeridge explica que São Paulo sofre uma estiagem há cada dez anos e comenta que a escassez de 2014 não foi a maior que ocorreu no território. Porém, aliada à temporada de verão e ao aumento populacional, a falta de água se intensificou, o que causou ações públicas improvisadas e preocupação entre a população. O aumento da mortalidade das árvores, concentração de gases poluentes e intensificação de doenças são algumas das consequências trazidas pela crise hídrica. Segundo os professores, se a mesma situação tornar a ocorrer, os riscos podem ser desastrosos, como incêndios, o que obrigaria a evacuação da cidade.

Wagner Costa ressalta a necessidade da criação de medidas alternativas de gestão que permitam conviver com a escassez da água e impeçam que a situação volte a acontecer e se torne mais grave. Além da diminuição do consumo desse recurso pelos cidadãos, o Livro Branco propõe o aumento do plantio de árvores, a construção de medidas públicas, integração de reservatórios e tratamento de esgoto.

Como modelo de organização gestacional, Costa utiliza Madri como exemplo, local que também possui problemas de estiagem e diminuiu seu consumo em 14%. O motivo pelo qual não ocorre a redução do uso da água em São Paulo, segundo o professor, é o tratamento desse recurso como uma fonte de lucro e a rejeição da visão pública. Além de discutir o gasto conveniente de água por setores da sociedade paulistana, Costa retoma o caso da capital espanhola como possível resolução, pois Madri realiza campanhas constantes sobre a importância em diminuir o consumo desse recurso.

A escassez hídrica é um problema crônico, comentam os especialistas. Por isso, também é importante o trabalho em conjunto entre modelo econômico, indústria, população e governo. Buckeridge afirma que, para que a coordenação de uma mudança seja possível, a informação tem papel essencial, ou seja, as pessoas precisam estar informadas acerca do assunto, sua gravidade e a possibilidade de viver com o regime de escassez.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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