Doação de sangue é segura para doador e salva vida de quem recebe

Hemocentros precisam de movimento regular de doadores; ideal seria se doassem duas vezes ao ano, diz médica

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Foto: Visual Hunt

No dia 10 de abril, o governo do Estado de São Paulo deu início à Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe de 2019. O dia D de mobilização aconteceu no último sábado, data em que os postos de vacinação de todo o Brasil estiveram abertos. Para evitar a queda do número de doadores no período da campanha, a Fundação Pró-Sangue incentiva a doação de sangue antes da imunização. Isso porque a vacina contra a gripe constitui impedimento temporário para quem pretende fazer sua doação. O protocolo de triagem dos candidatos determina que as pessoas que foram vacinadas devem aguardar 48 horas para que estejam novamente aptas a realizar esse gesto solidário que salva vidas. Os sangues O-, A- e B- estão críticos, ou seja, em condições de abastecer os hospitais por apenas dois dias. Já o tipo O+ está em emergência, isto é, garante o abastecimento por um dia.

“A doação de sangue é segura. Todo material é descartável. Antes do procedimento, acontece uma triagem, na qual riscos à saúde, tanto do doador como do receptor, são evitados. Se a pessoa se alimentar bem e não fizer esforços extenuantes depois de sair do posto de coleta, não há riscos”, afirma a hematologista responsável pelo HC da Faculdade de Medicina (FM), Sandra Camargo Montebello, ao Jornal da USP no Ar. Podem doar aqueles que têm entre 16 e 69 anos. Menores de idade devem levar a autorização, disponibilizada no site da Fundação Pró-Sangue, assinada pelos responsáveis.

Após algumas intervenções hospitalares e odontológicas há um período de inaptidão. Seis meses para endoscopia e parto cesariana, três meses para parto normal, 15 dias para infecções recentes, sete dias para canais ou obturações são alguns exemplos. Não podem doar grávidas, pessoas com anemia, ou contaminadas por alguma doença transmissível por via sanguínea. “As mulheres têm um nível de hemoglobina mais baixo do que os homens, então é comum não atingirem o parâmetro mínimo do Ministério da Saúde”, aponta a médica. Realizar o procedimento em anêmicos é perigoso tanto para o doador quanto para quem recebe a transfusão.

A hematologista incentiva a doação de todos, uma vez que os hemocentros precisam de movimento regular de doadores. O concentrado de hemáceas, principal produto utilizado, tem validade de 35 dias. “Os tipos O positivo e negativo sempre estão com estoques bem abaixo do confortável. Normalmente, ficam em 60% do que queremos, mas às vezes ficam com menos de 50% do ideal”, conta.

“A consciência de todos é necessária. Fazemos campanhas ao longo do ano, mas doar uma vez só não basta. Pedimos que as pessoas tirem dois dias do ano, como data de aniversário e natal, ou outra data simbólica, para a doação de sangue”, argumenta Sandra. Férias escolares e inverno são momentos especialmente difíceis para os hemocentros, logo precisam de maior atenção.

O posto de coleta do HC, o maior receptor da Fundação Pró-Saúde, recebe cerca de 60% das bolsas de sangue. O funcionamento se dá todos os dias, exceto aos domingos. De segunda a sexta, das 7h às 18 horas. Aos sábados e feriados, das 8h às 17 horas. O procedimento, segundo a médica, dura entre 45 e 60 minutos. Ela alerta sobre o maior movimento aos sábados e feriados, quando as pessoas têm mais disponibilidade de tempo.

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