COP27 e a sinergia entre poderes público, privado e a academia na busca pela descarbonização

Por Fernanda Brando, assessora técnica da Superintendência de Gestão Ambiental (SGA) da USP, Patricia Iglecias, superintendente de Gestão Ambiental da USP, e Tamara Gomes, assessora técnica da SGA-USP

 25/11/2022 - Publicado há 2 meses
Fernanda Brando – Foto: FFCLRP
Patrícia Faga Iglecias Lemos – Foto: FD
Tamara Gomes – Foto: Researchgate

Após 50 anos da Conferência de Estocolmo e 30 anos da Rio 92, entre os dias 6 e 18 de novembro, em Sharm El-Sheikh, no Egito, aconteceu mais uma Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP27.

A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, realizada na Suécia, em 1972, colocou a agenda ambiental em discussões de cunho global, identificando prioridades na temática e incentivando os diferentes países a estruturarem uma organização interna para a pauta ambiental. Considerada uma das bases da diplomacia para questões do meio ambiente, impulsionou diversas políticas públicas ambientais em torno do mundo, como foi o caso do Brasil com a Política Nacional do Meio Ambiente, instituída pela Lei nº 6.938/1981.

Já a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Brasil em 1992, provocou as partes a pensarem num desenvolvimento sustentável, buscando a integração e o equilíbrio entre aspectos ambientais, sociais e econômicos, mediante uma nova percepção de mundo e de tomada de decisões. Teve como seus principais resultados a Convenção sobre Diversidade Biológica e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Resgatar esses marcos é reconhecer a importância das discussões que dizem respeito ao meio ambiente em nível global, assim como refletir sobre o papel da academia em tais fóruns.

Em 11 e 14 de novembro de 2022, na cidade do Cairo e em Sharm El-Sheikh, concomitantemente à 27ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP27, a USP, em parceria com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), organizou o evento Advancing Corporate Decarbonization: public and private and synergies and future regulatory frameworks, com a participação de representações do Brasil, do Egito e de outros países, de instituições públicas, empresas, terceiro setor, universidades e do Legislativo. O objetivo foi ampliar a comunicação entre os esforços brasileiros no alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e fortalecer canais de diálogo entre atores-chave no enfrentamento das mudanças climáticas.

Foram apresentados, por atores representativos de diferentes setores, casos de sucesso no enfrentamento da agenda climática no Estado de São Paulo. São contribuições de diferentes setores na busca por inovações tecnológicas e políticas públicas considerando a crise climática.

A COP27 chega ao fim com o estabelecimento de um fundo para financiamento dos países mais necessitados, no que se refere às perdas e danos. Percebe-se que um dos pontos cruciais que se levou em conta foi justamente a questão de justiça climática. Importante notar que, em outubro de 2021, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas adotou a Resolução 48/13 e reconheceu que ter um ambiente limpo e sustentável é um direito humano. Assim, as crises relacionadas às mudanças climáticas impactam diretamente o pleno gozo dos direitos humanos, aumentando desigualdades e comprometendo o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Nesse sentido, é cada vez mais relevante reunir especialistas, acadêmicos, profissionais liberais e representantes de empresas, buscando uma maior sinergia de trabalho entre os poderes público, privado e a academia na busca pela descarbonização. Assim, os eventos promovidos pela USP e pela Cetesb também propiciaram discussões em torno de temas centrais à COP27: as alternativas tecnológicas para a descarbonização; o uso da terra; a contribuição do uso de áreas protegidas em espaços urbanos e rurais; as soluções baseadas na natureza; e, por fim, como conectar os diferentes atores nessa agenda.

Também foram levantados alguns desafios. Os representantes do setor privado presentes ressaltaram a necessidade de participação e interação da Universidade em seus projetos em termos de práticas ambientais, sociais e de governança, conhecidas como ESG (Environmental, Social and Governance).

Eventos como esses permitem a criação de sinergias e troca de experiências. Um dos pontos altos dos eventos foi a valorização do papel da mulher, bem como do jovem, na agenda climática.

A Universidade deve estar atenta aos desdobramentos da agenda climática, de forma que suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, com reflexo na formação de pessoas e na construção de conhecimentos, possam servir de alicerce para os necessários esforços de contenção do aquecimento global.


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