Urna funerária marajoara à frente e tambor trocano ao fundo são alguns dos objetos arqueológicos do acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP cedidos para a exposição - Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Exposição navega o mundo da cultura e das palavras indígenas no Museu da Língua Portuguesa

Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação convida para conhecer as línguas faladas pelos povos indígenas e as transformações decorrentes da invasão colonial; exposição, que teve colaboração da USP, fica em cartaz até 23 de abril em São Paulo

 06/04/2023 - Publicado há 11 meses     Atualizado: 12/04/2023 as 8:56

Tabita Said

Com curadoria da artista, ativista, educadora e comunicadora indígena Daiara Tukano, a exposição Nhe’ Porã: Memória e Transformação propõe ao público uma imersão nas cerca de 175 línguas indígenas faladas no Brasil. Resistindo no País desde o início do processo colonial, a sobrevivência dos povos originários ainda é ameaçada em meio a conflitos de terra que figuram na exposição, trazendo à tona suas trajetórias de luta e resistência, assim como a riqueza de suas culturas milenares. A exposição fica em cartaz no Museu da Língua Portuguesa (MLP), no centro de São Paulo, até o dia 23 de abril.

A equipe editorial e de vídeo do Jornal da USP acompanhou a assistente de formação do Núcleo Educativo do MLP, Amanda Cuesta, por uma visita guiada aos espaços da exposição. Dispondo de uma lógica circular – sem começo nem fim determinado – o projeto contou com a participação de cerca de 50 profissionais indígenas. Entre eles, cineastas, pesquisadores, influenciadores digitais e artistas visuais como Paulo Desana, Denilson Baniwa e Jaider Esbell.

No contexto da Década Internacional das Línguas Indígenas (2022-2032), instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) e coordenada pela Unesco em todo o mundo, a exposição teve ainda a colaboração e o empréstimo de objetos arqueológicos e cerimoniais utilizados por povos indígenas, sediados no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP.

Boas palavras

O convite para conhecer as línguas faladas pelos povos indígenas e as transformações decorrentes da invasão colonial são também um chamado para experimentar outras concepções de mundo. O processo começa no próprio nome da exposição, que vem da língua Guarani Mbya, composto a partir de duas palavras: Nhe’ẽ significa espírito, sopro, vida, palavra, fala; e porã quer dizer belo, bom. Juntos, os dois vocábulos significam “belas palavras”, “boas palavras” – ou seja, palavras sagradas que dão vida à experiência humana nesta terra.  

Para a arqueóloga Carla Gilbertoni Carneiro, chefe da Divisão de Curadoria do MAE, a língua se apresenta em diferentes suportes: na fala, na escrita, nos cantos e também nos objetos. “Objetos feitos pelos povos indígenas, que estão preservados no MAE, alguns há mais de 100 anos, puderam ser apresentados ao público para contar parte da história de culturas que construíram e aplicaram muitos dos seus conhecimentos sobre o território onde hoje toda a sociedade brasileira habita.”

A exposição dá destaque a uma vitrine com diversos objetos cerimoniais cedidos pelo MAE. “Os objetos contêm essas histórias ancestrais e transmitem conhecimentos para serem compartilhados para gerações futuras”, completa Carla.

Carla Gilbertoni Carneiro é arqueóloga e chefe da Divisão de Curadoria do MAE - Foto: Reprodução/IEA - USP

O ambiente apresenta também outras formas de comunicação entre os povos indígenas, como o monumental trocano – um tambor feito a partir de uma tora única e cedido pelo MAE -, que Daiara Tukano descreve como “o WhatsApp de antigamente”. Este instrumento pertence aos povos do Alto Rio Negro e, na exposição, será acompanhado por outros objetos cerimoniais originários da mesma região.

A tela As Onças e o Tempo Novo, de Tamikuã Txihi, indígena do povo Pataxó, tem destaque na sala 3 da exposição - Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Floresta de línguas indígenas representa a biodiversidade brasileira e destaca o Brasil como um país multilíngue - Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Programação especial

Para marcar os últimos dias de exposição, o MLP prepara uma programação especial que ocorrerá entre 11 e 15 de abril. Haverá exibição de curtas-metragens e apresentação de danças relacionados às culturas dos povos originários do Brasil. As atividades acontecerão em diferentes espaços do museu e também na vizinha Pinacoteca, parceira deste evento, onde é possível visitar a instalação Escola Panapaná, de Denilson Baniwa.   

O museu também lançou uma versão virtual e gratuita de Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação, por meio da qual o visitante, em qualquer lugar do mundo, pode explorar o conteúdo da exposição. A mostra virtual dispõe de uma série de materiais educativos e de pesquisa para download, incluindo um e-book contendo mapas produzidos exclusivamente para a exposição. 

Exposição temporária Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação  

Até 23 de abril de 2023 – De terça a domingo, das 9h às 16h30 (permanência até 18h)  
R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)  
Grátis para crianças até 7 anos | Grátis aos sábados  
Acesso pelo Portão A  
Venda de ingressos pela internet ou direto na bilheteria do museu
Endereço: Praça da Luz s/n – Luz – São Paulo  

Saiba mais:
www.museudalinguaportuguesa.org.br

Com texto e informações de Alan de Faria, da Assessoria de Imprensa do MLP 


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