Seminário aborda o pioneirismo da artista e exploradora Adela Breton

Pintora inglesa que percorreu a Mesoamérica no final do século 19 será tema de seminário on-line promovido pelo Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP

 Publicado: 27/05/2024

Texto: Julia Alencar*
Arte: Diego Facundini**

Foto: Aquarela por Adela Breton via Meisterdrucke/Domínio público

Aquarela de Adela Breton retrata um templo da Mesoamérica – Foto: via Meisterdrucke/Domínio público

No final do século 19 e início do 20, a artista e exploradora inglesa Adela Breton (1849-1923) percorreu a Mesoamérica e fez uma série de pinturas retratando a fachada de templos maias como os de Chichén Itzá, Teotihuacán e Acancéh, no México. “Alguns desses registros são únicos, porque os templos foram se degradando ao longo do tempo, pelas intempéries e pela ação humana”, afirma a pesquisadora Fátima Medeiros, que falará sobre Adela no seminário on-line Mulheres Viajantes no Século XIX: Adela Breton e as Ruínas Mesoamericanas, que o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP vai realizar nesta quarta-feira, dia 29, às 14 horas. Gratuito, o evento será transmitido pelo canal do IEB na plataforma Youtube.

Além de Fátima Medeiros — que atualmente desenvolve pesquisa no IEB sobre mulheres viajantes britânicas —, o seminário contará com a participação da professora Stella Franco, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, que estuda mulheres latino-americanas que viajaram para os Estados Unidos e Europa, como a brasileira Nísia Floresta, a argentina Eduarda Mansilla e a chilena Maipina de la Barra. 

“Minha intenção é trazer mais informações e discussões sobre os povos mesoamericanos, tópico pouco estudado no Brasil. São temas, imagens e monumentos muito importantes para o contexto latino do qual, mesmo que de forma diferente, o Brasil faz parte”, explica Fátima, que apresentará sua pesquisa sobre Adela Breton também em Lyon, na França.

 
Maria de Fátima Medeiros de Souza - Foto: CV Lattes

A pesquisadora Fátima Medeiros - Foto: CV Lattes

“Adela tinha muita proximidade com a arqueologia, e até hoje suas aquarelas e registros são muito valorizados no campo, tanto por seu pioneirismo quanto pela precisão técnica”, conta Fátima. A pesquisadora reforça que a contribuição de Adela não se refere somente ao avanço da arqueologia, mas também à luta contra os paradigmas da época. Ela foi capaz de contornar o domínio masculino do campo – participando de congressos e tendo seu trabalho utilizado como base de pesquisas de arqueólogos, antropólogos e americanistas – e de resistir à crença de que as mulheres deveriam se casar e ficar em casa — as viagens, especialmente como forma de carreira, eram consideradas atividades masculinas.

A professora Stella Franco - Foto: FFLCH-USP

A professora Stella Franco fala sobre a programação do evento: “A Fátima vai apresentar a pesquisa que está realizando no IEB sob supervisão da professora Ana Paula Cavalcanti Simioni e depois eu vou colocar algumas questões geradoras de reflexão e debate que também se relacionam com a minha linha de pesquisa. Como era para uma mulher viajar no século 19 e no século 20? Quais as chaves interpretativas para analisar o discurso das mulheres viajantes e suas possíveis comparações com homens viajantes? Em que escala? O que é relevante nos registros de viagem para as mulheres para pesquisas em história? São questões dessa natureza”, antecipa.

Aquarela de Adela Breton – Foto: via Meisterdrucke/Domínio público

Aventureira, arqueóloga, artista

“A carreira de Adela é muito interessante, porque ela viajou muito durante a infância com seus pais, e cuidou deles até ambos falecerem. Foi apenas no final do século 19, quando já tinha mais de 40 anos, que começou a produzir e realmente deslanchar na sua carreira”, explica a pesquisadora Fátima Medeiros. “Saindo da Inglaterra, a artista passou um período nos Estados Unidos, onde tinha família, e no Canadá, retratando paisagens locais, até sua primeira viagem ao México, em 1892, que durou 18 meses, acompanhada do guia Pablo Solorio. Ao longo dos anos 1890, seu tempo no México se tornou cada vez maior, e suas visitas à Inglaterra eram cada vez mais raras. Suas observações das pinturas ganharam teor científico, incorporando aspectos da geologia, cânions e vulcões, apesar de seu destaque serem as aquarelas dos murais dos templos de Chichén Itzá, Teotihuacán e Acancéh. Após sua morte, toda sua produção — cerca de 1.500 peças — foi doada ao Museu da Cidade de Bristol e Galeria de Arte. A maioria de suas obras já foi digitalizada pelo museu, e a casa onde ela viveu na Inglaterra, no complexo Camden Crescent, na cidade de Bath, leva uma placa com seu nome.”

 

O seminário Mulheres Viajantes no Século XIX: Adela Breton e as Ruínas Mesoamericanas será realizado nesta quarta-feira, dia 29, às 14 horas, no canal do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP na plataforma Youtube. Grátis. Não é preciso fazer inscrição. Mais informações estão disponíveis no site do IEB.

Foto: IEB-USP/Divulgação

*Estagiária sob supervisão de Roberto C. G. Castro
**Estagiário sob supervisão de Moisés Dorado


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