Cultura on-line para alimentar a mente e apaziguar o espírito

Um passeio pelo mundo virtual através de instituições culturais, nacionais e internacionais, ajuda a passar pela quarentena

Editorias: Cultura - URL Curta: jornal.usp.br/?p=309647
Passeio virtual ao museu – Foto: Unsplash

Nesse momento em que o isolamento é obrigatório como única forma de conter a covid-19, a cultura se torna uma aliada ainda mais forte, seja para ajudar a suportar a quarentena necessária, seja para manter as pessoas ativas e relacionadas com o mundo. E muitas instituições culturais abriram suas portas on-line, num gesto de solidariedade. “Documentários, sites sobre várias áreas científicas e diversas linguagens artísticas podem ser apreciados on-line, com várias programações, conjugações de instituições e canais do mundo todo, em ações solidárias”, afirma a professora Elza Ajzenberg, coordenadora do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, que com uma equipe de pesquisadores elaborou uma lista de eventos culturais on-line oferecidos por instituições culturais do Brasil e do exterior, a pedido de alunos e funcionários da ECA.

Uma das visitas on-line sugeridas pela professora Elza é ao Museu do Vaticano. Uma das atrações desse site é um tour em 360% pela Necrópole da Via Triumphalis, uma área no subsolo dos jardins do Vaticano que reúne mausoléus, sarcófagos finamente esculpidos, estátuas e afrescos dos primeiros séculos da era cristã. Descoberta acidentalmente em 1956, durante a construção de um estacionamento, a área soma um total de mil túmulos, datados do século 1 até o ano 230, dos quais pelo menos 50 pertenceram aos primeiros adeptos do cristianismo.

Já na Galleria degli Uffizi, em Florença, na Itália – outra sugestão da professora Elza –, tesouros da arte estão acessíveis on-line. Podem-se ver, em detalhes, já nas primeiras páginas do site, obras como La Velata, de Rafael, Nascita di Venere, de Botticelli, e uma Sacra Famiglia, de Michelangelo.

Tela do Google Arts & Culture – Foto: Screenshot do Google Arts & Culture

O Museu Pergamon, de Berlim, na Alemanha, permite uma viagem virtual a mais de 6 mil anos de história da humanidade, como afirma o site da instituição. Uma das exposições virtuais do museu atualmente em cartaz é 10 Self-Portraits by Women Artists (Dez Auto-Retratos de Artistas Mulheres). As obras trazem as figuras de artistas de diferentes épocas, como Frida Kahlo, Mary Cassatt, Cindy Sherman e Artemisia Gentileschi, que não têm o rosto conhecido do grande público. Como alerta o texto sobre a exposição publicado no site, artistas como Van Gogh e Andy Warhol são imediatamente reconhecidos, mas o mesmo não acontece com mulheres artistas. “Grandes artistas foram ofuscadas por seus pares masculinos. Frequentemente as mulheres existiram apenas no cânon da história da arte como modelos, em vez de como artistas”, diz o site.

Outras instituições citadas pela professora Elza são a Pinacoteca de Brera, de Milão, o Museu Arqueológico de Atenas, o Museu do Louvre, em Paris, na França, o Museu Britânico, de Londres, na Inglaterra, e o Metropolitano de Nova York, nos Estados Unidos. Há ainda o Museu Nacional de Arte Moderna e Contemporânea de Seul, na Coreia do Sul, e o Museu Van Gogh, de Amsterdam, na Holanda.

Ainda em sua programação, está um grupo de teatro on-line (www.spescoladeteatro.org.br), uma visita virtual ao Museu do Prado (https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-works), além de um museu em Nova York dedicado à moda (https://www.fitnyc.edu/museum/ e um museu de arte cubano (www.bellasartes.co.cu).

Festival Fico em Casa – Foto: Reprodução

A professora destaca também séries de documentários: Civilizações (Film & Arts), gravada em seis continentes, mostra em nove episódios como a arte define a experiência humana a partir da análise de historiadores; Cosmos (NatGeo), que foi exibida em mais de 150 países, transporta os espectadores através de 13,8 bilhões de anos de evolução cósmica; e O mundo visto de cima: Brasil, Europa, Ásia, Estados Unidos, em Português (Mais Globosat, de segunda a sexta-feira em horários diversos), que a cada episódio oferece um ponto de vista diferente do planeta; o último, segundo a professora, foi a Muralha da China.

 

Mais programação nacional

#pinadecasa – Foto: Instagram/Reprodução

No Brasil também há muita programação disponível na internet. A Pinacoteca do Estado de São Paulo está apresentando o #Pinadecasa, uma programação especial nas redes sociais, que traz todos os dias pela manhã uma obra de seu acervo que será comentada por curadores (acompanhe via Facebook, Instagram ou Twitter). O Museu da Imagem e do Som (MIS) vai compartilhar curiosidades sobre o acervo e as exposições temporárias, além de disponibilizar diariamente bate-papos e palestras no canal do MIS no Youtube (programação no Facebook). Já o Museu Catavento também está com uma programação especial, a #cataventoemcasa, que está contando histórias sobre solidariedade no #HistóriasdoCatavento, sobre seu acervo em #AcervoCatavento e, em breve, vai lançar #PorDentrodoCatavento#CataventoIndica#HojeÉDiade#CiênciaEmFrase e o #CataventoemCasa “mão-na-massa” (também dá para acompanhar pelo Facebook).

O É Tudo Verdade – 25º Festival Internacional de Documentários, em parceria com Sesc-SP, Itaú Cultural, Spicine Play e Canal Brasil Play, disponibiliza 50 horas de programação on-line, com 30 filmes não ficcionais, em longa e curta-metragem, inéditos e clássicos, nacionais e internacionais. Destaque para a série inédita e restaurada A Herança da Coruja, do cineasta francês Chris Marker, o ciclo A Situação do Cinema e a mostra Os Primeiros Premiados. E, para finalizar, um show no Youtube foi disponibilizado pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB): em homenagem aos 70 anos de vida do premiado compositor e instrumentista Guinga, foi realizado no Rio de Janeiro o espetáculo Guinga e as Vozes Femininas, no qual as cantoras Gioia Persichetti, Mônica Salmaso, Leila Pinheiro e Anna Paes, ao lado do homenageado, lembram as diferentes fases de sua trajetória.

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