Equipamento desenvolvido na USP em São Carlos pode ajudar a tratar “ombro congelado”

Testes preliminares mostraram o potencial da tecnologia no tratamento da capsulite adesiva, doença que causa inflamação e dor e impede o movimento dos ombros

 Publicado: 28/09/2021  Atualizado: 29/09/2021 as 16:12
Os testes iniciais mostraram que a nova técnica tem potencial para tratar a doença e levar recuperação e qualidade de vida em apenas seis semanas, contra os três anos da terapia convencional. Uma nova fase do projeto vai testar o equipamento em 120 voluntários já diagnosticados com a doença – Foto: Pixabay

 

Estudo preliminar com um equipamento desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP pode ajudar no tratamento da capsulite adesiva, uma lesão no ombro também conhecida como “ombro congelado”. A inflamação provocada pela capsulite impede o movimento do ombro. Os testes mostraram que a nova técnica tem potencial para tratar a doença e levar recuperação e qualidade de vida em apenas seis semanas, contra os três anos da terapia convencional.

Ana Carolina Negraes Canelada – Foto: Reprodução/LinkedIn

De acordo com a fisioterapeuta Ana Carolina Negraes Canelada, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e participante do Projeto Fotodinâmica do IFSC, a nova terapia é capaz de fazer o paciente voltar rapidamente à vida normal.

O novo equipamento é portátil e “constituído por duas esferas que, conjugadas com a aplicação de laser, ao deslizarem e comprimirem o músculo afetado, provocam a mobilização da fáscia muscular [pele que envolve o músculo], promovendo uma recuperação da amplitude do membro”.

Os resultados da pesquisa que testou o equipamento e a técnica foram publicados recentemente pelo Journal of Novel Physiotherapies e mostram o caso de um paciente de 57 anos com capsulite adesiva que apresentava os dois ombros comprometidos e sentia muitas dores que impediam movimentos, como a flexão dos ombros, abdução e rotação interna. 

Com os tratamentos convencionais, relata a fisioterapeuta, o paciente levaria de dois a três anos para se curar, mas que, em apenas seis semanas de aplicação do novo tratamento, a inflamação desapareceu e os movimentos dos ombros voltaram. Ana Carolina relata que o paciente foi submetido a sessões de 15 minutos de aplicações, duas vezes por semana. Ao término da sexta semana, “o paciente teve uma recuperação total de todos os movimentos, sem qualquer vestígio de inflamação e com ausência completa de dores, colocando-o, assim, apto para o trabalho normal”, comemora a pesquisadora. 

Foto: Alessandra Cuba/Comunicação da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos

Novos testes

Antonio Eduardo de Aquino Junior – Foto: Reprodução/LinkedIn

O novo tratamento está disponível na Unidade de Terapia Fotodinâmica (UFT), sediada na Santa Casa da Misericórdia de São Carlos (SCMSC), numa parceria com o IFSC.

No dia 20 de setembro, o estudo entrou em uma nova fase, com o teste em 120 voluntários já diagnosticados com capsulite adesiva para “certificar que a nossa metodologia é realmente funcional e que esse método de tratamento reduzido vai se manter nos demais pacientes”, diz o professor do IFSC e orientador do estudo, Antonio Eduardo de Aquino Junior.

De acordo com o professor, se for realmente viável, o tratamento poderá ser implementado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), “diante de toda a documentação e certificação dos órgãos necessários”.

Causas da capsulite adesiva

As causas da capsulite adesiva não estão bem determinadas. Mas, dentre as possibilidades, encontram-se alguns fatores como traumatismo (com ou sem fratura associada), cirurgias ou causas sistêmicas, como diabete ou doenças da tireoide. Rigidez muscular e dor são os principais sintomas que limitam os movimentos ativos e passivos do ombro. 

Estima-se que a doença acometa entre 2% e 5% da população geral, mas chegue a 20% nos diabéticos, sendo as mulheres de 40 a 60 anos a população mais afetada. Os atuais tratamentos aplicados são a termoterapia, crioterapia, eletroterapia, cinesioterapia e massagem direta, em um período de recuperação que varia entre dois e três anos.

Ouça, no player abaixo, entrevista dos pesquisadores ao Jornal da USP no Ar, Edição Regional.

Por: Brenda Marchiori e Ferraz Junior
Colaboração: Rui Cintra, IFSC


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