Nova vacina é desenvolvida para combater febre reumática

Além de auxiliar casos de febre reumática, vacina pode ser modelo de tratamento para outras doenças autoimunes

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Alvo de preocupação latente no Brasil, a febre reumática era considerada uma das doenças mais importantes no País, cerca de uma década atrás, tanto por causa de sua incidência como pelo gasto que representava para o sistema público de saúde. Hoje, ela voltou para a agenda dos médicos e da indústria, mas por um bom motivo: uma nova vacina, que pode mudar o curso da doença no Brasil e no mundo. O Jornal da USP no Ar conversou com a pesquisadora Luiza Guglielmi, do Grupo de Pesquisa em Febre Reumática do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, responsável pelo desenvolvimento da vacina.

A febre reumática é uma doença autoimune que atinge crianças e adolescentes suscetíveis, por predisposição genética, à bactéria Streptococcus pyogenes. Quando não tratada, acomete o miocárdio, podendo causar danos permanentes às válvulas do coração, o que desencadeia insuficiência cardíaca. A especialista conta que a maior dificuldade foi criar uma vacina que não causasse a doença quando aplicada. Ela foi desenvolvida a partir de uma região da proteína presente em todos os diferentes tipos da bactéria Streptococcus pyogenes.

Foto: Pedro Ventura/ Agência Brasília via Fotos Públicas

Depois de cerca de 20 anos de estudos, a vacina entra em sua segunda fase, em que é necessária a aprovação da Anvisa para iniciar os testes em humanos. A pesquisadora explica que o grupo fez inúmeros testes, inclusive em porcos, para certificar a segurança da vacina e sua liberação para o ensaio clínico em voluntários adultos e sadios. Além da possibilidade de funcionar como tratamento eficaz para a febre reumática, a vacina pode servir de modelo e auxiliar no desenvolvimento de outras vacinas contra diferentes doenças autoimunes.

O desenvolvimento dessa vacina coloca o Brasil entre os países que mais contribuem para o conhecimento científico sobre a febre reumática. Luiza afirma que eles foram afortunados pela abordagem escolhida e pelo êxito em conseguirem um conhecimento novo sobre a patogênese da doença, possibilitando o desenvolvimento da vacina.

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