Aeroporto de Congonhas terá nome do professor da USP Freitas Nobre

Projeto de lei foi aprovado pelo Senado e aguarda sanção do presidente da República

Por - Editorias: Universidade
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Freitas Nobre foi professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP – Foto: J.C.Brasil/CPDoc JB

No dia 25 de maio, o Senado aprovou o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 89/2012, que dá ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, o nome de Aeroporto Deputado Freitas Nobre. A proposta, de autoria do ex-deputado João Bittar, segue para sanção presidencial.

Além de político, José Freitas Nobre foi advogado, jornalista, escritor e professor em diferentes instituições, incluindo a Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Nascido em Fortaleza, em 24 de março de 1921, ele se mudou para São Paulo em 1936. Formou-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito (FD) da USP, em 1948.

Antes e depois de formado em Direito, também se dedicou ao jornalismo, trabalhando em vários veículos de comunicação, como, por exemplo, os Diários Associados, a Última Hora, a Folha da Manhã e a revista O Cruzeiro. Presidiu o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, por três vezes, e a Federação Nacional dos Jornalistas, por duas vezes.

 

A habilidade política como sindicalista o conduziu à esfera partidária. Eleito vereador em São Paulo, em 1958, pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), exerceu o mandato de 1959 a 1961, quando foi eleito vice-prefeito da capital paulista na chapa encabeçada por Francisco Prestes Maia (1961-1965).

Após encerrar o seu mandato como vice-prefeito de São Paulo, Freitas Nobre era o candidato natural à prefeito. Mas o término de seu mandato na Prefeitura de São Paulo coincidiu com o golpe militar de 1964 e suas pretensões foram interrompidas. Em
razão da perseguição que passou a sofrer, ele se exilou na França, onde se inscreveu no doutorado em Direito e Economia da Informação, sob a tutela acadêmica de Fernand Terrou, o diplomata que fundou e dirigiu o Instituto Francês de Imprensa, na Sorbonne.

Retornou ao País em 1967, durante a realização da eleição municipal em São Paulo, tornando-se vereador novamente.

Professor da USP

Em 1968, Freitas Nobre integrou o corpo docente da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, ministrando aulas de Jornalismo Informativo e criando a Agência Universitária de Notícias (AUN), o primeiro laboratório de jornalismo aplicado da unidade.

Enquanto lecionava na ECA, ele vinha trabalhando na redação da sua tese de doutoramento, voltando a Paris, para defendê-la, em 1973. Era um estudo sobre as implicações jurídicas do jornalismo em tempo de mídia eletrônica. Essa pesquisa seria posteriormente transformada em livro – Le Droit de Réponse et la Nouvelle Technique de l´Information (Paris, Nouvelles Editions Latines, 1974).

Em 1970, foi eleito deputado federal por São Paulo, na legenda do MDB, iniciando o exercício do mandato em fevereiro de 1971. No ano seguinte, Freitas Nobre sofreu uma “cassação branca”, com a interrupção de seu vínculo contratual com a USP.

Aeroporto de Congonhas – Foto: Divulgação

Na época, o Conselho do Departamento de Jornalismo da ECA reagiu, o que foi interpretado pelos agentes do sistema autoritário como impertinência subversiva. Quatro docentes (José Marques de Melo, Thomas Farkas, Jair Borin e Sinval Medina) considerados inspiradores do movimento pela permanência de Freitas Nobre e por outras rebeldias também foram afastados dos quadros da unidade.

O processo de retorno de Freitas Nobre à ECA, bem como dos colegas também vítimas do instituto da “cassação branca”, só foi possível depois da Lei de Anistia de 1979. Ele retornou à USP como professor em 1986 por meio de contrato temporário. Tornou-se livre-docente em 1987. Os contratos foram prorrogados até 1988, quando Freitas Nobre foi aprovado em concurso. Ele posteriormente fez concurso para professor titular e foi nomeado em 18 de abril 1990; mas, em novembro do mesmo ano, o professor faleceu.

Na política, ainda se reelegeu como deputado federal em novembro de 1978 e em 1982.  Freitas Nobre também foi professor catedrático da Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero. Escreveu vários livros, entre eles A epopéia acreana (1940), Juvenal Galeno e a poesia popular (1940), João Cordeiro, abolicionista e republicano (1943), Lei da imprensa (1954), Juvenal Galeno (1956), Clóvis Bevilacqua (1956), Anchieta, apóstolo do Novo Mundo (1968), O transplante de órgãos humanos à luz do direito (1968), Lei da informação (1969), Le droit de réponse et la nouvelle technique d’information (1970), Debates sobre problemas brasileiros (1977), Constituinte (1978), História da imprensa de São Paulo, Visão atual da Rússia e Grande dicionário Lisa (em colaboração).

Com informações do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da FGV, Osmar Mendes Júnior para o MAC, Comunicação do Senado

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