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No episódio desta semana do Minuto Saúde Mental, o professor João Paulo Machado de Sousa traz informações sobre a Esquizofrenia. O professor lembra que no episódio 22 do podcast foi descrita a diferença entre esse transtorno e os quadros de demência. Para falar com mais profundidade sobre o tema, Sousa apresenta as considerações do psiquiatra e professor Jaime Hallak, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, sobre o tema.
Segundo o especialista, a esquizofrenia é provavelmente o mais grave dos transtornos psiquiátricos e afeta aproximadamente 1% da população mundial. A pessoa com esquizofrenia pode apresentar delírios (crenças ou ideias muito particulares que desafiam a argumentação lógica), alucinações (percepção sensorial de estímulos que não estão presentes), desorganização da fala e do comportamento, apatia e deterioração do funcionamento social. Além disso, cerca de 10% dos pacientes com esquizofrenia cometem suicídio. O típico aparecimento da esquizofrenia é observado em adultos jovens e seu curso é frequentemente crônico, ou seja, ela se estende ao longo do tempo e não tem cura conhecida. O impacto social e econômico do transtorno é enorme e os efeitos para portadores e seus familiares podem ser devastadores.
Os sintomas da esquizofrenia geralmente são divididos em cinco grupos: sintomas positivos, sintomas negativos, sintomas de desorganização, disfunção cognitiva e sintomas afetivos. Os sintomas positivos incluem os delírios e alucinações e estão presentes em períodos críticos, ou, como chamam os médicos, de exacerbação psicótica. Apesar da melhora com os remédios, os sintomas positivos frequentemente persistem na esquizofrenia crônica, embora tendam a não ser predominantes. Os sintomas negativos mais comuns são embotamento afetivo (pouca expressividade emocional), anedonia (falta de prazer), retraimento social e diminuição da motivação, iniciativa e atividade. Mais de 50% dos pacientes com esquizofrenia apresentarão algum grau significativo de sintomas negativos. Os sintomas afetivos incluem afeto inapropriado, humor rebaixado e pensamentos suicidas, enquanto os sintomas de desorganização incluem a desorganização do pensamento e do comportamento. Por último, a disfunção cognitiva abarca alterações da memória, da atenção e de funções executivas como, por exemplo, o planejamento e o autocontrole.
O psiquiatra lembra que cerca de 90% dos pacientes em primeiro episódio de psicose apresentam remissão dos sintomas após um ano de tratamento, mas que apenas um em cada três pacientes terão um bom resultado funcional.
A pesquisa em neurociências vem trazendo grande avanço na compreensão das alterações cerebrais e físicas da esquizofrenia, com progressos importantes na busca por tratamentos mais eficientes. Esses avanços, associados a técnicas psicológicas, psicossociais, educação individual e familiar e da sociedade e treinamentos voltados para a capacitação acadêmica e profissional têm melhorado muito o prognóstico e aumentado a esperança de um dia conseguirmos atingir o objetivo de completa recuperação dos pacientes.
Se você ainda ficou com alguma dúvida sobre esta e outras questões de saúde mental, mande uma mensagem pra gente e teremos prazer em respondê-la aqui.
Minuto Saúde Mental
Apresentação: João Paulo Machado de Sousa
Produção: João Paulo Machado de Sousa e Jaime Hallak
Coprodução e edição: Rádio USP Ribeirão
Coordenação: Rosemeire Talamone
Apoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
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