Ativado pela melatonina, tecido adiposo marrom pode ser aliado no combate à obesidade

Estudo aponta que esse tipo de gordura do organismo pode ser ativado pelo hormônio do sono, queimando calorias

  • 2,8K
  •  
  •  
  •  
  •  

jorusp

O tecido adiposo marrom é conhecido há muitas décadas como um tecido termogênico em mamíferos, porém sua significância clínica em humanos vem demonstrando que adultos também possuem TAM ativo, especialmente após exposição ao frio. Essa descoberta levou a um enorme aumento nas pesquisas sobre o assunto, já que sua ativação, levando a um aumento do gasto energético, poderia, pelo menos na teoria, ser uma possível arma no tratamento da obesidade e da diabete tipo 2 e sua redução ou ausência ser uma causa de ganho de peso. Muitos compostos vêm sendo estudados como possíveis recrutadores e ativadores desse tecido. Uma tese de doutorado na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) aponta que a melatonina é um deles.

O Jornal da USP no Ar conversou sobre o assunto com o doutor Márcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP. Ele explica que, durante muito tempo, o conhecimento sobre o tecido adiposo foi deixado de lado: “Se acreditava que, em humanos, o tecido adiposo marrom tinha relevância apenas para o recém-nascido, pois protegia o bebê da exposição ao frio e que não havia métodos que comprovassem a existência do TAM em adultos”. No entanto, algumas publicações no The New England Journal of Medicine há alguns anos atrás mostraram a presença e a importância do tecido nos humanos adultos. “Quando expostos ao frio durante um tempo, meia hora em 16°C, por exemplo, aumentava a captação do TAM , mostrando uma relevância fisiológica. Então esse tecido participa do metabolismo humano”, conclui o doutor Mancini.

Tecido adiposo multilocular brown adipose tissue – Foto: Domínio Público via Wikimedia Commons

Assim, o tecido adiposo marrom tem um papel contrário ao do tecido adiposo branco, já que este último armazena energia na forma de gordura. O TAM queima esses triglicérides através do processo de termogênese, que produz calor nos organismos. O especialista elenca os ativadores desse tecido: “A adrenalina, o hormônio de tireoide, o frio, a própria refeição — quando a gente come, a própria refeição ativa o tecido e isso faz com que a gente não armazene indefinidamente aquilo que comemos e acabe produzindo calor e nos protegendo contra o frio”.  

A grande questão é como a ciência pode se utilizar desse processo para combater a obesidade e a diabete tipo 2. Mancini afirma que, há décadas, a medicina pesquisa substâncias que ativam o metabolismo. “O problema é que sempre que se chega na substância, ela acaba tendo algum problema, algum efeito colateral. Às vezes ela é efetiva, mas oferece riscos.” Uma tese recente de Bruno Halpern, orientada pelo doutor Mancini, estudou o papel da melatonina — um hormônio produzido no escuro — no estímulo do tecido adiposo marrom, uma vez que ela tem níveis elevados em noites de inverno, que são mais longas e frias, ambiente propício para o tecido ser ativado em maior quantidade.  

jorusp

  • 2,8K
  •  
  •  
  •  
  •  

Textos relacionados