Novo dispositivo promete acabar com tremores do Parkinson

Neuroestimulador é capaz de monitorar a atividade elétrica do cérebro e mensurar a quantidade de dopamina

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Segundo a Organização Mundial da Sáude, mais de 6 milhões de pessoas sofrem de Parkinson, cujo sintoma mais visível são os tremores. É a segunda doença neurodegenerativa mais frequente após o mal de Alzheimer. Outros 50 milhões têm epilepsia, que é caracterizada por convulsões. Um novo dispositivo pode auxiliar as pessoas afetadas por essas doenças neurológicas: ele promete ser eficaz para evitar tremores e convulsões. Para falar sobre o assunto, o Jornal da USP no Ar conversou com a professora Maria Elisa Pimentel Piemonte, do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do Projeto Rede Amparo.

O neuroestimulador foi desenvolvido por cientistas da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos. Ele é capaz de monitorar a atividade elétrica do cérebro e fornecer energia para estimular determinadas regiões, contudo ainda não foi testado em seres humanos. Segundo Maria Elisa, o mal de Parkinson consiste na morte dos neurônios de uma determinada região do cérebro encarregada de produzir dopamina. A falta dessa substância no órgão traz uma série de efeitos colaterais e sintomas no organismo desses pacientes, como os tremores. Atualmente, o principal tratamento é o de ministrar uma substância similar à dopamina para que o paciente não apresente os tremores. O desafio está em mensurar a quantidade dessa substância, que deve ser ministrada a cada paciente diariamente.

Fotomontagem sobre foto de Marcos Santos/USP Imagens

O novo aparelho propõe uma saída para esse desafio. “Ele resolve essa questão fazendo com que o mesmo dispositivo consiga registrar a atividade do cérebro e ajuste o quanto ele tem que estimular”, tornando o processo dinâmico, explica a professora. O tratamento com dispositivos não dinâmicos já existe. Também são implantados cirurgicamente no cérebro, mas a neuroestimulação é limitada, por ser fixa. Com isso, “uma hora essa estimulação pode ser adequada, mas em alguns momentos ela pode não ser”, complementa.

Para Maria Elisa, a ideia é fantástica, mas ainda há muitos estudos a serem feitos, uma vez que foi apenas testado em chimpanzés. “Fazer esse salto para humanos é um desafio para o mundo.” Ela, que é coordenadora da Rede Amparo (iniciativa que promove a melhora na qualidade de vida de pessoas com doença de Parkinson no Brasil e de seus familiares), conta que no País a pesquisa de ponta e os grandes centros de referência têm tecnologia e competência semelhantes aos grandes centros do mundo. O problema é que nem o tratamento básico da doença (reposição medicamentosa) é totalmente eficiente para todos, tanto por falta de profissionais quanto por falta do medicamento. Além disso, também há carência de outras abordagens que melhorem a qualidade de vida do paciente com Parkinson, como fisioterapia e fonoaudiologia.

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