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C apacitar grupos em situação de vulnerabilidade social é a missão de uma equipe de estudantes da USP em São Carlos. Os alunos são responsáveis por prospectar problemas sociais em comunidades próximas ao campus, propor soluções e dar meios para que elas consigam se sustentar.
Eles atuam em diferentes espaços, de um assentamento rural à formação de mulheres para trabalhar na construção civil e em negócios gastronômicos. Após diagnosticarem as principais dificuldades, os estudantes elaboram um projeto com a população que será beneficiada.
Os membros da comunidade são capacitados pelos estudantes para que mantenham o projeto a longo prazo, pois, ao final de um ou dois anos, a equipe sai da comunidade para criar novos projetos em outros lugares.
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A iniciativa é do Enactus Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira (Caaso) da USP. A equipe é associada à organização internacional e sem fins lucrativos Enactus, que incentiva universitários a proporem soluções para problemas sociais usando conceitos de empreendedorismo e sustentabilidade. O intuito é estimular a criação de negócios sustentáveis entre pessoas de baixa renda.
Melhorias em um assentamento
A baixa produtividade do solo do assentamento Santa Helena e a necessidade de ensinar o valor da terra às crianças da comunidade deram origem ao Geração Helena. É o projeto mais antigo do Enactus Caaso e está sendo concluído neste semestre.
Dois anos se passaram desde que os membros do projeto conheceram os moradores do Santa Helena durante uma feira de produtos na USP. Na época, o assentamento tinha apenas três de seus 11 lotes irrigados e era marcado pelas diferenças políticas entre seus habitantes.
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“Com o projeto, todos os lotes foram irrigados. Caixas d’água, sombrites e rodas d’água foram instaladas e fizemos uma parceria com a Embrapa para analisar a água e o solo do assentamento”, conta Caio Chinen, representante do Geração Helena e aluno do terceiro ano de Engenharia de Produção da USP.
Após o resultado da análise, os moradores passaram a usar biofertilizantes e água tratada. Como resultado, a área cultivável do assentamento mais do que dobrou e agora permite que os alimentos sejam vendidos em feiras de São Carlos. A renda média da população aumentou cerca de 40%.
As mulheres no mercado de trabalho
Além da bandeira ecológica, o Enactus Caaso também abraça a causa feminista através das ações de dois projetos voltados para mulheres: Mulheres à Obra e MadreChef.
O primeiro capacita mulheres para atuarem na área de construção civil. Em parceria com outras instituições, o Mulheres à Obra oferece oficinas de pequenos reparos, conceitos matemáticos e precificação de serviços para que as participantes possam se profissionalizar e seguir na área.
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“No início, nós ajudamos em tudo”, diz Gabriela Mayr, estudante do quinto ano do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP e coordenadora de um dos projetos. No caso do MadreChef, acompanhamos desde a compra dos produtos até o planejamento de vendas e precificação. Quando o negócio se estabiliza e as mulheres participantes começam a gerir por conta própria, o Enactus dá início a um novo projeto.”
“É extremamente importante ter uma base teórica para saber valorizar os seus serviços”, diz Mariana Mori, estudante do 3º ano do curso de Engenharia de Produção da USP e coordenadora do Mulheres à Obra. “Além disso, o objetivo do projeto é mostrar que elas são capazes de se inserir no mercado, que discrimina muito essas profissionais apenas por serem mulheres.”
No MadreChef, são atendidas oito mulheres de cinco bairros de São Carlos, que estão abrindo seu próprio negócio gastronômico para complementar a renda familiar. “O Enactus identificou que as mulheres em São Carlos se sentem muito reprimidas, elas pensam que não são capazes de gerir um negócio próprio. Então, além de aumentar a renda delas, trabalhamos com a autoestima”, diz Gabriela.
A primeira iniciativa foi a Doce Começo, que produz bolos de pote e de festa sob encomenda. Desde julho de 2016, foram feitos 578 bolos, que resultaram no aumento de 30% da renda de Neia, que gere o Doce Começo.
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Outro empreendimento é o Divino Sabor, organizado por três mulheres que vendem panquecas congeladas. Com o negócio, houve um aumento médio de R$ 300 na renda familiar de cada uma.
Além dos projetos que visam à criação de negócios e produtos, o Enactus Caaso promove o Minha Muda. “É um projeto desenvolvido na escola Escola Estadual Jesuíno de Arruda, em São Carlos. Ele busca criar um vínculo maior entre os alunos e a escola, e a escola com a família”, explica Evaldo Espíndola, professor da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP responsável pelos alunos que participam do Enactus. “Não é um projeto com retorno financeiro, mas é um projeto com olhar social, pensando na ampla evasão que as escolas registram no decorrer do ano.”
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Crescimento pessoal
Além de difundir o espírito empreendedor nas comunidades de São Carlos, o Enactus Caaso é também uma experiência única na graduação dos estudantes.
“Todo aluno que passou pelo time Enactus Caaso com certeza tem um diferencial. Não apenas curricular, mas também, e principalmente, em seu histórico de vida”, acredita Espíndola.
“No início, é meio chocante entrar em contato com outra comunidade, porque a USP é uma bolha”, admite Gabriela. “São realidades completamente diferentes e você aprende muito com essa troca.”
Em 2015 e 2016, o Enactus Caaso conquistou, respectivamente, o terceiro e o quinto lugar no Campeonato Nacional Enactus do Brasil e foi contemplado por editais de empresas como Ford, KPMG e Walmart.
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