Para refletir sobre os ecos e as lições de 1968

De 2 a 5 de outubro, evento “USP, Ecos de 1968, 50 Anos Depois” vai relembrar o legado do ano que não terminou. De 28 de setembro a 21 de dezembro, o “Jornal da USP” e a Rádio USP apresentarão uma série de artigos, reportagens e entrevistas sobre o período

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Com uma introdução ao significado do ano de 1968 para a Universidade de São Paulo, o Brasil e o Mundo, o Jornal da USP abre, no próximo dia 28 de setembro, o ciclo de reflexões USP, Ecos de 1968, 50 Anos Depois.

O ciclo será uma realização da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU), do Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma), do Jornal da USP e da Rádio USP.

Exposições, peças de teatro, leituras dramáticas, relançamento de livros e mesas-redondas serão realizados no Ceuma de 2 a 5 de outubro próximos, relembrando a história da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) e dos dramáticos embates da “Batalha da Maria Antonia”, seus reais significados e suas dolorosas consequências (veja a programação completa abaixo).

Além de cobrir esses eventos, o Jornal da USP publicará, até o dia 21 de dezembro, vídeos, entrevistas e artigos com depoimentos de professores e alunos que viveram as mobilizações, vicissitudes e arbitrariedades de 1968 na USP. Os ecos dos principais eventos políticos, culturais e sociais que tiveram lugar no Brasil e no mundo em 1968 também serão objeto de textos no jornal.

Rememorar, analisar e compreender são fundamentais para que anos tenebrosos como 1968 e todo o período de 1964 a 1985 nunca mais se repitam no Brasil.

Programão completa

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2 de outubro, terça-feira

19h – Saguão do Edifício Joaquim Nabuco: Abertura oficial com autoridades

– Reitor: Vahan Agopyan
– Vice-reitor: Antonio Carlos Hernandes
– Pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária: Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado
– Pró-reitor de Graduação: Edmund Chada Baracat
– Pró-reitor de Pós-Graduação: Carlos Gilberto Carlotti Júnior
– Pró-reitor de Pesquisa: Sylvio Roberto Accioly Canuto
– Diretora da FFLCH: Maria Arminda do Nascimento Arruda
– Superintendente de Comunicação Social da USP: Luiz Roberto Serrano

Participação especial: Coralusp

20h – Atividades artístico-culturais:

Exposição Re Vouver, com jornais do período de 1968, do acervo do Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP – Foto: Jorge Maruta/USP Imagens

 

  • Performance Ainda Resistimos, Coletivo Coletores (a partir das imagens de Hiroto Yoshioka, a performance integra memória, videomapping e a fachada lateral do Maria Antonia, apresentando a força das coletividades e da luta popular a partir da combinação de diferentes imagens e textos);
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  • Abertura da nova fase da exposição Re Vouver, com fotos inéditas de Hiroto Yoshioka, vídeo, reprodução de jornais e revistas da época, além da instalação de totem com acesso ao site da Comissão da Verdade da USP;
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  • Abertura da exposição Re Velando (em parceria com o Instituto Vladimir Herzog, composta de fotos de Luis Humberto e Orlando Brito);
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  • Abertura da exposição Camadas: Narratividades Visuais da Violência (Coletivo Lâmina, com curadoria de Ana Avelar);
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  • Abertura da exposição Os Fuzis da Dona Tereza Carrar
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  • Abertura da intervenção Alteração de Foco 0118, do artista visual Diego Castro.

 

3 de outubro – quarta-feira

16h – Exibição do filme A Batalha da Maria Antonia (2014, 1h16m), direção de Renato Tapajós

Cena do filme A Batalha da Maria Antonia – Foto: Reprodução/Youtube

O documentário trata do confronto entre estudantes da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP e estudantes da Universidade Mackenzie, que culminou na morte do estudante secundarista José Guimarães e no incêndio e destruição do prédio da Faculdade de Filosofia, em outubro de 1968, na Rua Maria Antonia, na região central de São Paulo. Tal acontecimento é emblemático para a compreensão da resistência à ditadura civil-militar que se instalara no Brasil a partir do golpe de 1964.

19h
Lançamentos, com debates realizados pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da reedição de duas obras relativas à história de sua antiga e mítica sede, na Rua Maria Antonia

Abertura
Maria Arminda do Nascimento Arruda

Lançamento 1: Livro Branco: os Acontecimentos da Rua Maria Antonia (2 e 3 de outubro de 1968) 

Relatório acompanhado de importantes documentos, datado de 6 de novembro de 1968, elaborado por uma Comissão de Professores da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, nomeada pela sua Congregação, com o objetivo de apurar, através de depoimentos, análise de fotos, noticiário de imprensa e outros documentos, os fatos ocorridos nos dois dias de conflito e seu contexto geral. Presidida por Simão Mathias, essa comissão foi composta com Antonio Candido (relator), Carlos Alberto Barbosa Dantas, Carlos Benjamin de Lyra, Eunice Durham e Ruth Cardoso.

Reedição ampliada, organizada por Abilio Tavares e Irene Cardoso.

Debate 1

Expositores
Carlos Alberto Barbosa Dantas
Irene de Arruda Cardoso

Mediador
André Singer

Lançamento 2: Maria Antonia: Uma Rua na Contramão

Organizado por Maria Cecília Loschiavo dos Santos, o livro reúne depoimentos de 31 personalidades sobre a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, na Rua Maria Antonia, entre 1948 e 1968.

Debate 2

Expositores
Adélia Bezerra de Menezes
Franklin Leopoldo e Silva
José Arthur Giannotti
Marilena Chauí

Mediadora
Maria Cecília Loschiavo dos Santos

21h – Leitura cênica de Os Fuzis da Senhora Carrar, com direção de Maria Thaís, participação de  Juçara Marçal e estudantes de Artes Cênicas da USP

Montagem de Flávio Império para Os Fuzis da Senhora Carrar, em 1968 – Foto: Victor Knoll/Acervo Sociedade Cultural Flávio Império


O texto de Brecht foi encenado pelo Teatro dos Universitários de São Paulo em 1968, com direção de Flávio Império. A leitura cênica atual será feita com direção de Maria Thaís e participação de coros de alunos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e artistas convidados. Maria Thais é diretora teatral, pesquisadora, professora do Departamento de Artes Cênicas da ECA  e fundadora da Cia. Teatro Balagan (reconhecida em 2014 como patrimônio imaterial da cidade de São Paulo), atuando como encenadora de diversos espetáculos de grande repercussão.

4 de outubro, quinta-feira

16h – Exibição do filme Jango (1984, 1h57m), direção de  Silvio Tendler

Cena do filme Jango, de Silvio Tendler – Foto: Reprodução/YouTube

O filme refaz a trajetória política de João Goulart, o 24° presidente brasileiro, que foi deposto por um golpe militar nas primeiras horas de 1º de abril de 1964. Goulart era popularmente chamado de “Jango”, daí o título do filme, lançado exatos 20 anos após o golpe. A reconstituição da trajetória de Goulart é feita através da utilização de imagens de arquivo e de entrevistas com importantes personalidades políticas, como Afonso Arinos, Leonel Brizola, Celso Furtado, Frei Betto e Magalhães Pinto, entre outros. O sugestivo slogan do filme foi Como, quando e por que se derruba um presidente.

19h – Exibição do filme Diário de uma Busca (2011, 1h47m), direção de Flávia Castro

Cena do filme Diário de uma Busca, de Flávia Castro – Foto: Wikimedia Commons


O jornalista Celso Afonso Gay de Castro morreu aos 41 anos, na cidade de Porto Alegre, em circunstâncias suspeitas. O militante político de esquerda foi exilado durante a ditadura militar brasileira. Durante esse período, ele percorreu diversos países, como Argentina, Venezuela, Chile e França, sempre acompanhado de sua família. Uma vida marcada pela história da luta armada, exílio e ausência. Sua repentina morte deixou seus familiares com um vazio e um mistério, que a filha Flávia tenta desvendar.

21h – Leitura cênica de A Lua Muito Pequena, peça de Augusto Boal, de 1968, publicada na revista aParte, do Teatro dos Universitários de São Paulo. Direção de Rogério Tarifa, com Teatro do Osso, grupo convidado

Notícia sobre a montagem da peça de Augusto Boal A Lua Muito Pequena e a Caminhada Perigosa – Foto: Acervo Instituto Augusto Boal

A peça de Boal fazia parte do espetáculo Feira Paulista de Opinião, de 1968. Direção de Rogério Tarifa, diretor reconhecido no jovem teatro de grupo da cidade de São Paulo com companhia profissional, formada por egressos da Escola de Arte Dramática (EAD) da USP. O Teatro do Osso foi fundado em fevereiro de 2015, dentro da Escola de Arte Dramática, com a criação do espetáculo Canto para Rinocerontes e Homens. Dirigida por Rogério Tarifa (Prêmio Shell na categoria Melhor Cenário), a montagem retoma a parceria com Jonathan Silva e William Guedes (vencedores do Prêmio Shell de Melhor Música), já realizada anteriormente em Concerto de Ispinho e Fulô e Cantata para um Bastidor de Utopias.

Conversa com Cecília Boal.

 

5 de outubro, sexta-feira

16h – Exibição do filme Vlado, 30 Anos Depois (2005, 1h30m), direção de João Batista de Andrade

Cena de Vlado, 30 Anos Depois – Foto: Reprodução/Youtube


No dia 25 de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog compareceu ao Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) para prestar depoimento. No fim da tarde do mesmo dia, a terrível notícia: Vlado estava morto e, segundo fonte oficial, teria cometido suicídio na prisão. O filme revela, a partir de depoimentos de amigos, familiares e colegas que conviveram com ele, a história, a amplitude das perseguições daquele momento e a trajetória do jornalista. Relata desde sua infância na Iugoslávia, com sua família de origem judaica, fugindo da perseguição nazista, passando por suas ideias políticas, sua militância, seu senso de ética, até chegar à sua posse como diretor de Jornalismo da TV Cultura de São Paulo.

19h – Exibição do filme Que Bom Te Ver Viva (1989, 1h40m), direção de Lúcia Murat

Cena do filme Que Bom Te Ver Viva, de Lúcia Murat – Foto: FCB – Fundação do Cinema Brasileiro

Ex-presas políticas da ditadura civil-militar brasileira analisam como puderam enfrentar as torturas e prisões, relatando as situações e como sobreviveram a esse período, no qual delírios e fantasias são recorrentes. O filme intercala cenas documentais com um monólogo ficcional, amálgama dos relatos e das memórias dessas mulheres.

21h – Leitura cênica e debates da revista aParte: cultura e política em 1968. Direção de Sérgio de Carvalho, com atores convidados e conversa posterior

Direção de Sérgio de Carvalho, diretor do Tusp, com artistas e músicos. Participação de Cecília Boal e outros convidados. A leitura procura reencenar os debates estéticos presentes nos primeiros números da revista em torno do teatro no ano de 1968, contrapondo posições de Anatol Rosenfeld, Zé Celso e Augusto Boal. As raízes da revista aParte, publicação do Teatro dos Universitários de São Paulo – nome de batismo do Tusp – datam de 1968. Seus dois números iniciais (um terceiro não foi publicado e acabou destruído com o acirramento da perseguição política) são documentos estético-políticos sobre o período.

 

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