
O metano expelido por ruminantes bovinos tem muitos impactos no meio ambiente, com a ampliação do efeito estufa, mas não só. A atividade apresenta uma grande pegada hídrica pelo elevado consumo de água e pegada de carbono devido à devastação de vegetação nativa para a formação de pastos.
O sistema agroalimentar global corresponde por 1/3 das emissões globais de gases de efeito estufa e é o principal vetor da erosão da biodiversidade. Metade dessas emissões vem dos ruminantes. No Brasil, a criação de gado está muito ligada ao desmatamento e é de uma impressionante ineficiência, muitas vezes com menos de uma cabeça de gado por hectare.
É possível produzir carne sem persistir nos métodos atuais, a partir da regeneração e diversificação das pastagens. Além da promoção da melhoria de raças, encurtando o tempo de vida dos animais e praticando a integração lavoura para pecuária e floresta, 85% da alimentação do gado no mundo vem de forragens que só os ruminantes são capazes de digerir. Pastagens bem manejadas oferecem serviços ecossistêmicos fundamentais para a biodiversidade e para captação de gases de efeito estufa.
Pecuária regenerativa
O Brasil é um dos poucos países que têm capacidade para oferecer carne vinda de uma pecuária regenerativa, mas é necessário que todo financiamento seja condicionado a esse objetivo. E hoje infelizmente nós ainda estamos muito longe de chegar a isso.

O professor Ricardo Abramovay, titular da Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis e professor sênior do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, falou sobre a relação entre a forma como se faz pecuária atualmente e os riscos ambientais. A apresentação desse boletim é de Nadine Marques.
Parceria: Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis
Boletim Alimentação e Sustentabilidade
Produção: Estela Sanseverino, Nadine Marques e Ricardo Abramovay
Co-produção: Cinderela Caldeira, Fernanda Real e Tulio Shiraishi
Edição: Rádio USP
Você pode sintonizar a Rádio USP SP 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107.9 MHz, pela internet em www.jornal.usp.br ou nos principais agregadores de podcast.