A inteligência artificial generativa gera fotos cada vez mais incríveis. Será que a fotografia está se tornando desnecessária? “Olha, a princípio, parece. Você olha a foto e pensa que ela parece uma foto perfeita. Eu posso pegar uma supercâmera, de US$ 20 mil, com as melhores objetivas do mundo, e não vou conseguir fazer uma foto desse jeito.
É importante explicar que são algumas fotos e de imagens muito conhecidas. Você vai ver ator de Hollywood, celebridade, e você vai ver algum tipo de luz. Aquela imagem que você usa em fotografia comercial, que tem modelo, jovem, bonito, um biquíni, o cabelo perfeito, essa foto vai desaparecer. Essa foto o computador vai fazer num instante. Mas, para fazer essa foto, é preciso saber o que perguntar. É como chegar numa cozinha gourmet, com a geladeira completamente abastecida, e você não sabe cozinhar. É frustrante! A gente precisa saber perguntar e isso a máquina não sabe resolver.
Os fotógrafos devem certamente começar a trabalhar cada vez mais escrevendo os tais dos prompters, ou seja, os pedidos para a máquina, porque eles têm a experiência, são capazes de perguntar […] na verdade, esses produtos de inteligência artificial são muito bons para uma coisa que eu chamo de “trabalho intelectual braçal”. Ele é simples, é cotidiano. Eu preciso de um modelo jovem, surfista, em uma praia, no pôr do sol, segurando uma prancha e com uma bermuda florida. Isso o computador gera para mim, porque é uma foto cara e difícil de tirar. No caso, teria que pegar uma foto supergenérica de um banco de imagem – o banco de imagem vai desaparecer.
Uma das coisas boas que vão acontecer é o surgimento de novos formatos de imagem. A ideia é que eu preciso saber perguntar. A hora que eu pegar alguém que tenha algum senso artístico, mas não tenha a habilidade manual de desenhar ou não tenha o conhecimento técnico de fotografia, e essa pessoa começa a brincar no computador e pede uma coisa e pede outra, ela pode gerar alguns formatos de arte, alguns formatos de ilustração, que seriam impensáveis há dez anos, porque eles são muito complexos ou eles são muito grandes ou eles são muito incríveis, de algum jeito. Essa tecnologia não vai matar o artista da fotografia nem o artista da ilustração, mas ela pode gerar uma nova categoria de artistas que é completamente diferente de tudo aquilo que a gente conhece.
Datacracia
A coluna Datacracia, com o professor Luli Radfahrer, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP Jornal da USP e TV USP.
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