Pandemia agravou os riscos da pornografia e do vício em sexo pela internet

Carmita Abdo, fundadora do ProSex, manifesta a preocupação de especialistas em relação a esse tema: “Os adictos só percebem o vício quando não conseguem mais seguir com seu cotidiano”

 20/11/2020 - Publicado há 11 meses  Atualizado: 25/11/2020 as 11:14
Fotomontagem: Camila Paim/ Jornal da USP sobre imagens Freepik

O Jornal da USP no Ar recebeu hoje (20) Carmita Abdo, professora associada da Faculdade de Medicina (FM) da USP, fundadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Departamento de Psiquiatria (IPq) da mesma faculdade, para tratar sobre os riscos da pornografia online e do vício em sexo pela internet, especialmente entre os jovens, quadro que foi agravado pela pandemia. 

A professora revela que há uma preocupação dos especialistas em relação a esse tema, em especial com aqueles que já possuem uma predisposição a tornarem-se adictos a essa situação. “As pessoas vão perdendo o controle aos poucos e só o percebem quando de fato não conseguem mais seguir com seu cotidiano”, explica. Ela observa que a pandemia agravou os riscos, o que pode ser percebido pela procura por tratamento a partir da consciência das pessoas. 

A busca pela pornografia como uma situação rápida, sem a necessidade da sedução ou da consensualidade, com estímulos os mais diversos e excitantes. “Isso torna o relacionamento comum mais complicado: quem está do outro lado não é tão exuberante ou interessante, e então o sexo consensual fica menos interessante, seja virtual ou presencialmente”, adverte Carmita. “A enorme oferta, a facilidade de acesso e a rapidez de satisfação sem o trabalho da interação, tudo isso contribui para que quem tenha disposição fique mais preso a essa atividade.”

Há uma preocupação ainda maior com os jovens, muitos dos quais estão em fase de iniciação sexual e não possuem alternativa, neste momento, senão estar em contato com o virtual. “Eles podem, sim, infelizmente, estarem iniciando-se sexualmente por meio da pornografia, o que desmobiliza, futuramente, o contato com outra pessoa em seus relacionamentos”, aponta a professora. Ela cita riscos da iniciação sexual por meio da pornografia: comparar-se com o que vê e se deprimir, com autoestima baixa, “sem aquela exuberância em termos de desempenho e condições de uso do órgão sexual e do corpo”; e perda de interesse em relacionamentos interpessoais, já que neles provavelmente não se encontra o que existe na pornografia. 

A parte positiva, segundo Carmita, é que há tratamento para a adicção, por meio de terapia, com objetivos bastante direcionados. Caso preciso, ainda se pode associar a medicamentos que inibam, e não anulem, a libido, de forma a controlá-la e a pessoa cometida possa, pouco a pouco, reeducar a própria sexualidade. “Isso é feito no próprio ProSex, no Departamento de Psiquiatria, além de terapeutas sexuais que têm sucesso, a depender da disciplina do paciente”, completa. 


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